Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Eleições nas Redes: Quando a eleição municipal soa ‘mundial’

Marlos Ápyus

Exclusivo para assinantes

Roberto Motta concorre a uma vaga na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Nas redes sociais, apresenta-se como conservador e apoiador de Jair Bolsonaro. No Twitter, sugeriu que os eleitores evitassem o que chamou de “BBB”: Benedita, Boulos e Biden.

No outro polo, Fernanda Mechionna, que disputa a prefeitura de Porto Alegre, acharia ótimo se fizessem no Brasil um boneco gigante do presidente da República — para ser chutado em um desfile, a exemplo do que ocorreu nos Estados Unidos com Donald Trump.

É inusitado, mas está longe de ser raro. Numa campanha tão ideologizada, não falta candidato que ignore o caráter municipal da eleição para se posicionar sobre temas que extrapolam as fronteiras nacionais. E a mensagem não costuma ser ignorada, atingindo um alcance acima da média.

Melchionna, por exemplo, entendeu que o Chile fez história ao recentemente “enterrar uma Constituição da Ditadura Militar“. O feito chileno é também celebrado com a lembrança de que a “Coluna da Infâmia”, uma homenagem de um artista dinarmaquês a povos que lutam por liberdade, foi inaugurada numa primeira passagem Edmilson Rodrigues, atual líder nas pesquisas, pela prefeitura de Belém.

O deputado federal Glauber Braga acredita que os “bons ventos” que sopram da Bolívia confirmariam as boas chances de Guilherme Boulos. Para o deputado federal Ivan Valente, o candidato do PSOL à prefeitura de São Paulo faz inveja até mesmo aos eleitores de Joe Biden, que estariam optando nos Estados Unidos pelo “menos pior“. Para o apresentador Helder Maldonado, contudo, só Márcio França teria condições de derrotar Trump.

O exagero nem sempre é ironia como no exemplo acima. Em Porto Alegre, Juliana Brizola defende que o SUS seria mais eficiente que o sistema de saúde pública da Alemanha, um dos melhores mundo.

Mas poucos se dedicam à geopolítica como Manuela D’Ávilla. Além de Chile e Bolívia, a candidata à prefeitura de Porto Alegre já se posicionou sobre a renúncia de Pepe Mujica no Uruguai, reclamou das interrupções sofridas por Kamala Harris em discussão com Mike Pence nos Estados Unidos, e aproveitou a recusa de Trump em participar de um debate para alfinetar Jair Bolsonaro, que evitara confrontos televisivos na reta final da campanha de 2018.

Manu não só tem liderado a corrida, como ampliado a vantagem sobre os adversários. Se por isso ou apesar disso, só uma pesquisa voltada ao tema poderia esclarecer. Até lá, segue a máxima de que não se mexe em time que está ganhando.