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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Eleições nas Redes: Quando o bot é, na verdade, um bait

Marlos Ápyus

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Em 22 de julho de 2019, Jair Bolsonaro publicou no Twitter mais uma daquelas mensagens que agitam a própria militância. Os 280 caracteres serviram para que o presidente brasileiro anunciasse uma nova reunião do Foro de São Paulo, evento que serve de inspiração a uma das principais teorias conspiratórias bolsonaristas.

Em resposta, um usuário comentou: “Não conheço um eleitor do Bolsonaro que esteja arrependido, pelo contrário, já iniciamos a campanha pra 2022. É o melhor presidente de todos os tempos!

As palavras entregavam mais sobre o autor do que sobre a realidade, uma vez que as avaliações positivas do presidente vinham em queda desde o início do mandato. Mesmo assim, seria replicada semanas depois em um blog de uma influenciadora esquerdista, que logo percebeu a manifestação pouco orgânica.

O texto ficaria esquecido até o final de abril passado, quando alguns poucos perfis passariam a publicá-lo em resposta a menções ao sobrenome presidencial. Desde então, viraria uma espécie de praga virtual, surgindo muitas vezes fora de contexto nas notificações de basicamente qualquer um.

No último 10 de maio, um usuário registrou em vídeo o momento em que aqueles dizeres se replicavam em diversos perfis no intervalo de segundos. E chamou de “bot” o que de fato tinha todas as características de uma ação tocada artificialmente.

Havia, contudo, um problema: não eram bots, mas “baits“. Ou iscas para que desavisados atribuíssem a robôs o que vinha sendo feito por militantes para carimbar de desinformado quem caísse na armadilha.

Tal “bait” segue em uso até hoje, ainda que num ritmo menos frenético. O Google registra milhares de manifestações idênticas, incluindo postagens em outras redes, como Facebook, Pinterest e Reddit. Dentre os links mais relevantes, retorna um tweet da deputada federal Carla Zambelli, justamente de quando o vídeo acima caminhava para superar as 50 mil curtidas.

Porque, claro, há bots manipulando o debate político. Tanto que as próprias redes se livram corriqueiramente de alguns. Mas o interesse em minar a credibilidade de vozes críticas do atual governo não dependente de máquinas. E qualquer deslize serve de arma para que a reputação do formador de opinião seja jogada na lama.

 

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