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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Eleições nas Redes: Russomanno usa contra Boulos matéria publicada com o debate já em curso

Marlos Ápyus

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O debate com os quatro candidatos que lideram a disputa pela prefeitura de São Paulo foi agendado pelo UOL para as 10h da manhã desta quarta-feira. Próximo às 10h50, Celso Russomanno, lendo informações que trazia em mãos, questionou Guilherme Boulos sobre a Kyrion Consultoria e a Filmes de Vagabundo, dois CNPJs que, somados, receberam R$ 528 mil da campanha do candidato do PSOL. Segundo o deputado federal, seriam empresas fantasmas que não estariam funcionando nos endereços registrados.

Celso Russomanno e Guilherme Boulos. Fotos: Reprodução/Youtube e Fabio Motta/Estadão

Russomanno explicou que a informação vinha de “uma equipe que soltou hoje uma reportagem nas redes sociais”. Só após o deputado insistir uma terceira vez no tema, Boulos confirmou não saber do que se tratava. Questionando a origem da informação, o membro da coordenação do MTST ouviu o adversário afirmar que o conteúdo estava “em todas as redes sociais“.

A tal reportagem havia sido publicada às 10h42 no YouTube, minutos antes da pergunta de Russomanno, mas já com o debate em andamento. Trata-se de um material sensacionalista que se limita a visitar o endereço das referidas empresas, e ligar para o número de um contador. No que não encontra uma estrutura ativa, assume se tratar de um crime de lavagem de dinheiro, batizando tudo de “Laranjal do Boulos”.

São denúncias que, por óbvio, demandam uma apuração cautelosa. Mas também merece atenção a autoria da reportagem, assinada por Oswaldo Eustáquio, blogueiro bolsonarista que já foi alvo de busca e apreensão por envolvimento em atos antidemocráticos, e chegou a ser preso duas semanas depois pela suspeita de que fugiria para o Paraguai. Nada disso, no entanto, impediu o canal do youtuber de seguir monetizado pelo serviço.

Em julho, Alexandre de Moraes permitiu a libertação de Eustáquio com medidas cautelares que o proibiam de deixar o Distrito Federal, ou mesmo de fazer uso das redes sociais. Os perfis do blogueiro seguem ativos, mas com postagens atribuídas a uma suposta assessoria de imprensa. A reportagem citada no debate de hoje, no entanto, é protagonizada em São Paulo pelo próprio blogueiro.

Nas redes sociais, percebe-se uma agitação bolsonarista em torno das denúncias trazidas por Russomanno, mas os militantes enfrentam concorrência da controversa autoria do material, destacada em peso pelo outro polo dessa batalha ideológica.

Procurada, a campanha de Boulos afirmou que “as prestadoras de serviço estão trabalhando em home office por conta da Pandemia”. Nas redes sociais, o candidato afirmou que o único problema estaria na falta de atualização do endereço.

Russomanno prometeu visitar as empresas para seguir fazendo barulho nas redes sociais. Para Boulos, “o Gabinete do Ódio quer repetir 2018 com suas Fake News”. Mas, parafraseando um antigo bordão de Lula, prometeu que, “desta vez, a esperança vai vencer o ódio”.