Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Marcelo de Moraes

Eleições nas Redes: Vice de novo

Marlos Ápyus

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O PSDB governa São Paulo desde 1º de janeiro de 1995. Nesse intervalo, por duas vezes, a capital escolheu um nome do partido para o comando da prefeitura. Mas ambos os prefeitos e todos os governadores, em algum momento e por motivos distintos, entregaram o cargo para o vice. Por isso, Bruno Covas não deveria se surpreender com questões sobre a escolha de Ricardo Nunes para a chapa que tentará administrar a maior cidade do país pelos próximos quatro anos.

A exemplo do avô, Mario Covas, o atual prefeito enfrenta um câncer que pode vir a ser fatal. A exemplo de José Serra e João Doria, precisa garantir que não abandonará o posto para alçar voos maiores menos de dois anos depois. E, a exemplo de Gilberto Kassab, tenta renovar o mandato de prefeito herdado de um tucano que abandonou a prefeitura com menos de 16 meses de trabalho.

A oposição tanto sabe disso que não se cansa de usar o domínio que possui sobre as redes sociais para alertar o eleitor do risco de o tucano deixar a prefeitura para Nunes, um nome conhecido por apenas 6% dos que prometem voto a Covas. Por vezes, com auxílio da imprensa, que enxerga uma justa relevância no tema.

Como se não bastasse o histórico do PSDB com vices, Nunes anexa à campanha uma porção de manchetes negativas sobre violência doméstica, máfia das creches e, mais recentemente, o receio de surgir em público prejudicando o atual prefeito.

Do outro lado da disputa, Guilherme Boulos não se cansa de enaltecer a figura de Luiza Erundina, a quem chama de melhor prefeita da história da cidade — sem qualquer contestação relevante da parte do adversário, o que pode ser considerado mais um deslize.

Uma busca no perfil de Bruno Covas não retorna qualquer menção no Twitter ao nome do vice do prefeito.

É verdade que a coligação com 11 partidos garantiu a Covas um valioso tempo de TV que o empurrou ao segundo turno como favorito. Mas, nessa altura do campeonato, impera a sensação de que foi mais certeira a opção do PSOL por uma vice que agrega argumentos a favor da candidatura.

Tanto que aliados de Covas passaram a investir em expedientes mais questionáveis, como o compartilhamento de vídeos que fortalecem a imagem de Boulos como uma liderança radical. Mudança tão brusca na conduta de quem apostava numa campanha propositiva denota que o tucanato já não mais confia que a reeleição estaria garantida sem um esforço extra. E o risco nem vem exclusivamente das dúvidas sobre Nunes, mas também (ou principalmente) de uma eventual abstenção mais alta da parte dos que prometem reeleger o prefeito.