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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Em churrascaria em Miami, Bolsonaro volta a reclamar de preço dos combustíveis

Marcelo de Moraes

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Durante sua viagem oficial aos Estados Unidos, Jair Bolsonaro participou de almoço numa churrascaria em Miami, onde acabou gravando vídeo ao lado do bicampeão mundial de Fórmula-1 Emerson Fittipaldi. A conversa, que foi divulgada pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) em seu perfil no Twitter, mostra o presidente reclamando mais uma vez do preço dos combustíveis na bomba e lembrando que já houve cinco reduções nas refinarias, mas o preço não baixou para os consumidores.

Este ano, o presidente já entrou em choque com os governadores ao responsabilizá-los pela alta do preço pois o ICMS cobrado pelos Estados encarecia o combustível nas bombas. A crítica motivou até nota assinada pela maioria dos governadores, alegando que dependiam dessas receitas e que o governo federal poderia reduzir os impostos que ele próprio cobra sobre combustivel, como Cide e PIS/Cofins. Depois de dias de trocas de acusações, a conversa esfriou e nada mudou.

“Emerson, pela quinta vez no ano baixamos o preço do combustível. A última foi 5% na refinaria. Sabe quanto baixou na bomba? Zero. Esse é o Brasil. E quando eu falo de quem é a responsabilidade, o pessoal faz listinha, assinam 15, 20 personalidades, para dar pancada em mim. Que eu estou atingindo os governadores. Não estou atingindo. Estou mostrando uma realidade. Eu quero, se for depender de mim, que o ICMS incida na origem, no preço do combustível na refinaria”‘ disse Bolsonaro na conversa com o piloto brasileiro.

“Agora, vão conhecer a verdade. Quem paga a conta? Não é apenas o consumidor. É o cara que compra algo mais caro porque o frete ficou mais caro. Pedágios, uma vergonha. Mudamos a forma de pedágio no Brasil. Os contratos que estão aí não dá para mudar. É um dos pedágios mais caros do mundo e as piores estradas. Grupos incrustados no governo. Estamos tentando mudar. Inmetro estava lá pronto para assinar uma portaria mudando 1 milhão e 600 mil tacógrafos a R$ 1,9 mil. Quem ia pagar a conta? É o motorista de caminhão, empresário, motorista de ônibus, de van. Demiti todo o pessoal. Para não ter dúvida”, disse, se referindo à demissão do comando do Inmetro que autorizou há poucos dias.

Bolsonaro também citou mudanças que a Petrobras passou a fazer no seu governo, adotando medidas de austeridade. Uma das citadas foi a rescisão do patrocínio para a McLaren no valor de R$ 872 milhões em cinco anos. O ponto acabou sendo o mote para o presidente dizer que as instituições estavam loteadas entre os partidos. Com o clima pesado no relacionamento com o Legislativo, Bolsonaro ressaltou: “não estou atacando o Congresso”.

“Não tinha cláusula para a rescisão. A que ponto estava. As instituições loteadas por partidos políticos no Brasil. Eu não estou atacando o Congresso. Estou atacando um costume, uma praxe, um vicio que tinha lá. Ah tem que mudar o Brasil, mas com as mesmas práticas. Não dá”, disse.