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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Em depoimento, Ramos e Heleno contradizem Bolsonaro

Equipe BR Político

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Contrariando o que disse o presidente Jair Bolsonaro, em depoimento à Polícia Federal na terça-feira, 12, os ministros Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) disseram que o chefe do Executivo citou o nome da corporação na reunião ministerial de 22 de abril.

O general Luiz Eduardo Ramos, ministro-chefe da Secretaria de Governo e o general Augusto Heleno (GSI)

O general Luiz Eduardo Ramos, ministro-chefe da Secretaria de Governo e o general Augusto Heleno (GSI) Foto: Dida Sampaio/Estadão

Ontem, da rampa de acesso ao Palácio do Planalto, o presidente afirmou que “não existem no vídeo as palavras ‘Polícia Federal’ nem ‘superintendente'”, afirmou. No entanto, de acordo com uma cópia dos depoimentos obtida pela Folha, Bolsonaro teria mencionado o nome da PF ao cobrar relatórios de inteligência.

De acordo com Ramos, no encontro, Bolsonaro “se manifestou de forma contundente sobre a qualidade dos relatórios de inteligência produzidos pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência), Forças Armadas, Polícia Federal, entre outros”​. O ministro afirmou que o presidente “acrescentou que, para melhorar a qualidade dos relatórios, na condição de presidente da República, iria interferir em todos os ministérios para obter melhores resultados de cada ministro”. O presidente chegou a pressionar os ministros e afirmar que: “Vocês precisam estar comigo”, afirmou, de acordo com o depoimento do ministro.

A mesma versão de Ramos foi dada em depoimento por Augusto Heleno. O chefe do GSI disse que Bolsonaro, na reunião, cobrou “de forma generalizada” todos os ministros da área de inteligência, “tendo também reclamado da escassez de informações de inteligência que lhe eram repassadas para subsidiar suas decisões, fazendo decisões específicas sobre sua segurança pessoal, sobre a Abin, sobre a PF e sobre o Ministério da Defesa.”