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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Em resposta a Bolsonaro, mais MPs devem ser deixadas para caducar

Gustavo Zucchi

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A MP da Carteira Verde e Amarela deverá ser a “ponta do iceberg” na lista de medidas provisórias que irão caducar. A expectativa é que, após a movimentação de Jair Bolsonaro contra o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, outras MPs não sejam pautadas. A medida não seria uma “retaliação”, mas uma priorização das pautas  relacionadas ao coronavírus.

A movimentação seria especialmente importante para Maia já que sinalizaria um aceno à oposição no momento em que Bolsonaro tenta uma reaproximação com o centrão. O que estaria em jogo seria essencialmente a sucessão para a presidência da Câmara. Caso Bolsonaro consiga rachar o centro, o apoio da esquerda poderia ser fundamental para Maia emplacar um sucessor.

Assim, o primeiro “sacrifício” oferecido por Maia para partidos como o PT, PDT, PSB e PSOL seriam MPs polêmicas que não tenham relação direita com  a crise do coronavírus. A primeira que deve ganhar o ostracismo será a MP da Regularização Fundiária, chamada pela oposição de MP da grilagem. O texto é defendido por parlamentares ligados ao setor da agropecuária, mas visto com ressalvas pela ala ambientalista. Alguns líderes avaliam que, movimentos contrários à ecologia podem piorar ainda mais a imagem brasileira no exterior em um momento já complicado devido à posição de Bolsonaro diante do covid-19.

Outras duas medidas provisórias também foram oferecidas para a oposição como forma de aproximação entre Maia e o grupo. As duas tratam de temas caros a Bolsonaro e se encaixam na lista de pautas “ideológicas” do Planalto. A primeira muda a forma de escolha dos reitores das Universidades Federais. As instituições de ensino são vistas pelo núcleo duro do bolsolavismo como controladas por “esquerdistas” e buscam uma maneira de inverter esse jogo. A outra MP autorizaria sorteios por emissoras de televisão. Um afago para empresários considerados aliados do presidente. 

Ao todo, são 15 medidas provisórias na Câmara sem ligação com a pandemia. E 28 MPs que trazem medidas de combate ao coronavírus. Mesmo essas, a perspectiva é que sejam levadas “sem pressa”, nas palavras de um líder. Como elas entram em vigor assim que editadas, elas serão apreciadas “sem que o pé esteja no acelerador”. 

Na última semana, a Câmara manteve sessão madrugada adentro para votar a MP da Carteira Verde e Amarela. Na sequência, ouviu ataques de Bolsonaro contra Maia e a ajuda emergencial para Estados e municípios aprovada pela Casa Legislativa. No Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP) retirou da pauta a MP e, provavelmente, não irá levá-la para votação.

MPs de Bolsonaro devem ficar longe do plenário da Câmara

MPs de Bolsonaro devem ficar longe do plenário da Câmara Foto: Maryanna Oliveira/Câmara dos Deputados

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