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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Em Minas, Zema e prefeito de BH divergem sobre isolamento

Equipe BR Político

Em Minas Gerais, o governador Romeu Zema (Novo) diverge do prefeito da capital, Alexandre Kalil (PSD), sobre a obediência ao isolamento social, recomendado pela Organização Mundial da Saúde, para combater a disseminação do coronavírus. O primeiro anunciou na noite de sexta, 27, que estuda relaxar a quarentena enquanto é pressionado por empresários em carreata na porta da sede do governo e pelas ruas de Belo Horizonte pela reabertura total dos estabelecimentos comerciais na capital e no Estado. Já Kalil prefere a cautela. “Estão relaxando? Segundo os técnicos e especialistas, o pior começa na quarta (1/4)”, escreveu ele na quinta, 26, no Twitter. A Secretaria de Estado da Saúde informou ontem que 28 mortes pelo patógeno são investigadas. Houve um salto de 27 para 36 novos casos de quinta para sexta.

Zema segue os passos do presidente Jair Bolsonaro. Ele nem assinou a carta dos governadores divulgada na quinta, 26, defendendo como prioridade a vida da população, neste momento de pandemia, sem excluir medidas de proteção da economia.

Economistas do Banco Central americano (Fed) e MIT divulgaram esta semana um estudo com base em dados econômicos de diversas cidades dos EUA durante a gripe espanhola, em 1918, cuja conclusão diz que quarentenas podem beneficiar a economia a longo prazo:

A pandemia causou uma queda brusca e persistente na atividade econômica. Encontramos efeitos negativos na produção industrial, no estoque de bens duráveis e ativos bancários, sugerindo que a pandemia deprimiu a economia tanto pelo lado da demanda quanto pelo lado da oferta.

 Cidades que que implementaram medidas mais rápidas e agressivas não demonstraram um desempenho econômico pior durante a pandemia. Por outro lado, as evidências referentes a ativos bancários e produção industrial indicam que, após a pandemia, cidades que implementaram medidas mais agressivas apresentaram melhor performance econômica.

 De modo geral, nossas evidências mostram que pandemias são altamente disruptivas para a atividade econômica. Porém, medidas oportunas visando mitigar a severidade da pandemia também foram capazes de reduzir a severidade da crise econômica. Ou seja, intervenções não-farmacêuticas (como quarentenas) podem reduzir a mortalidade ao mesmo tempo em que são economicamente vantajosas.”

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