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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Em Natal, políticos tradicionais assumem papéis discretos

Marlos Ápyus

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Álvaro Costa Dias (PSDB) administra Natal desde 6 de abril de 2018, quando Carlos Eduardo Alves (PDT) deixou a prefeitura para, em vão, tentar conquistar o governo potiguar. Antes, o vice-prefeito havia, por 25 anos, alternado mandatos como deputado estadual e federal.

Na busca pela reeleição, o homônimo do senador Álvaro Dias (Podemos) surgiu no último levantamento do Ibope, divulgado há duas semanas, com 44% das intenções de voto, ou 14 pontos porcentuais a mais do que a soma de todos os adversários, o que pode fazer com que a disputa se encerre em turno único. Como os demais candidatos surgiram com menos de 7% dos votos, e a margem de erro da pesquisa chegou a 4 pontos porcentuais, é possível afirmar que há um empate técnico generalizado na segunda posição.

Encabeçando uma coligação que acomoda nove partidos (PSDB, PDT, MDB, Avante, PL, Republicanos, REDE, DEM e PSD), Dias conta com o apoio formal de quase todas as lideranças locais cuja influência política ultrapassa as fronteiras do Rio Grande do Norte. Em especial, Fábio Faria e Rogério Marinho, ministros do governo Bolsonaro. Mas também Henrique Alves (ex-ministro do governo Temer que presidiu a Câmara Federal durante o governo Dilma), Garibaldi Alves (ex-ministro do governo Dilma que presidiu o Senado durante o governo Lula) e José Agripino Maia (ex-senador que, entre 2011 e 2018, presidiu o DEM, o mesmo partido de seu primo de segundo grau, Rodrigo Maia).

Com a popularidade abalada por operações da Polícia Federal, mas também pelo temor do que a covid-19 pode fazer com indivíduos de idade tão avançada, o trio tem evitado o protagonismo na campanha. Garibaldi prefere dedicar-se à renovação do mandato de vereador do sobrinho Felipe Alves. E Agripino enfrenta dificuldades em Mossoró, região onde o DEM garimpou Rosalba Ciarlini para governar o RN entre 2011 e 2014, com Claudia Regina, candidata apoiada pelo ex-senador, na terceira posição.

Mas são percebidos movimentos de bastidores da parte de Henrique, cuja influência ajudou a definir o corpo jurídico da campanha que caminha para a renovação do mandato na capital. O ex-deputado, no entanto, só se arrisca em palanques no interior, onde o MDB e o sobrenome da família possuem raízes mais firmes.

Farias e Marinho se expõem um pouco mais, ainda que sem infringir os limites impostos por Jair Bolsonaro aos próprios auxiliares. O atual prefeito, contudo, lista o acesso facilitado aos ministros como um dos diferenciais da candidatura.

Por mais que o Estado seja comandado por Fátima Bezerra, o PT vem tendo um papel secundário. O discurso pelo isolamento social foi deixado de lado para que a governadora participasse de agitos da campanha de Jean Paul Prates, suplente que assumiu o gabinete da ex-senadora em Brasília. O candidato pede votos sob a alcunha de “Senador Jean”, o que é lido como uma forma de torná-lo mais popular não só na eleição de 2020, mas em uma eventual renovação de mandato daqui a dois anos.

Quatro nomes miravam o voto bolsonarista na capital, mas Fernando Pinto (Novo) desistiu da disputa em meados de outubro. Os outros três somam 11% das intenções de voto, com o Delegado Leocádio (PSL), que empata em 7% com Kelps (Solidariedade) na segunda posição, sendo o único que parece ter chance de uma vaga no segundo turno — caso o favoritismo de Dias não se confirme já no próximo domingo.