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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Em plena onda latina do uso político das Forças Armadas

Equipe BR Político

O general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional, tem atuado como leão de chácara do presidente Jair Bolsonaro, incomodando militares da ativa e até atiçando, como escreve a colunista Eliane Cantanhêde nesta terça, 5, no Estadão, o pior lado do chefe. Uma espécie de “corretor ideológico” de Bolsonaro das lives de quinta, Heleno ajuda a enquadrar o Brasil na atual onda na América Latina de presidentes escalarem militares como sombras nos momentos de crise política, conforme mostra o Estadão.

A escalação ocorreu recentemente no Equador, no Chile e Peru. John Polga-Hecimovich, da Academia Naval dos EUA, diz que os generais, em tempos de paz, “precisavam de um motivo para existir e justificar seus orçamentos, em uma região que realmente não se envolve em guerras interestatais”. Já o cientista político Aníbal Pérez-Liñán, da Universidade de Notre Dame, avalia que esse jogo é muito perigoso. “Se todos os presidentes precisarem fazer isso para sobreviver, uma nova politização das Forças Armadas será inevitável.”

Bolsonaro pensa até em criar o Partido Militar Brasileiro. “É o fim da picada. Só vai reforçar a sensação, que começa a se espraiar entre os militares, de que Bolsonaro está fazendo uso político de uma das marcas de maior credibilidade no Brasil: a marca Forças Armadas”, conclui a jornalista.