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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Em São Paulo, PT nacionaliza campanha municipal contra o bolsonarismo

Alexandra Martins

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Em São Paulo, o PT vai nacionalizar a campanha do ex-deputado federal Jilmar Tatto à Prefeitura contra qualquer nome bolsonarista que surgir na disputa, seja Celso Russomanno (Republicanos) ou Márcio França (PSB). A proposta é repetir o formato bem-sucedido utilizado nas campanhas municipais das ex-prefeitas Luiza Erundina e Marta Suplicy e do ex-prefeito Fernando Haddad.

O deputado federal Alexandre Padilha. Foto: Lula Marques/PT na Câmara

Nesta semana, em entrevista ao BRP, o ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (PSD) replicou que quem nacionaliza eleição municipal “quebra a cara”, mas a nacionalização é uma aposta sedutora para os partidos progressistas, especialmente diante da má gestão do governo federal para a pandemia do novo coronavírus, pois já serviria de antessala para a eleição de 2022.

“É lógico que o partido vai propor coisas para a cidade, mas o posicionamento, como que as pessoas param para ouvir, na minha opinião, é a partir da nacionalização. Pararam para ouvir a Erundina quando ela começou a ir contra a política do José Sarney; a Marta, quando ela falava da crise econômica da gestão do Fernando Henrique Cardoso, e o Haddad por ser o candidato do Lula”, diz o deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP), que é o nome do Congresso a fazer parte da equipe de Tatto.

Segundo o petista, que ficou atrás de Tatto por oito votos na votação para a escolha do candidato do partido, a campanha do ex-secretário de Transportes de Haddad vai explorar a relação do adversário com o presidente Jair Bolsonaro. “Temos que ir para cima do Bolsonaro, não para cima do candidato. É explorar essa relação. O Bolsonaro é mais do que ele próprio. Tem o bolsonarismo, esse discurso do ódio. Acho que tem que estar vinculado aos fatos nacionais. Bolsonaro cria fatos todos os dias”, acrescenta.

O debate da volta à aulas, por exemplo, pode atingir tanto o candidato bolsonarista quanto o prefeito Bruno Covas (PSDB), batizado por Padilha de “BrunoDoria”. “Essa questão da pandemia é muito importante na campanha. As pessoas estão sofrendo”, reforça.

Vice

Nos próximos dias, o partido intensificará as negociações para a escolha da candidata a vice de Tatto. Nomes masculinos estão descartados. A escolha da vaga será feita no dia 12 de setembro. A ex-primeira-dama de São Paulo Ana Estela Haddad aparece na lista, bem como mulheres negras. O que é dado como certo é que o nome virá de dentro do próprio PT, uma vez que dois aliados mais próximos do partido, PCdoB e PSOL, vão lançar candidaturas próprias. Tanto Orlando Silva quanto Guilherme Boulos, respectivamente, são vistos como “aliados valorosos”.

Não que o PT tenha batido o martelo para a chapa puro-sangue e descarte totalmente um nome de outro partido para a vaga. “Pensar pensa (em outro partido), mas tem a realidade das eleições que é a questão das coligações proporcionais. Os partidos de esquerda estão procurando essas candidaturas para viabilizar chapas. Assim, fica muito difícil conseguir (alternativas) de outros partidos. O PCdoB está decidido a ter candidatura própria para tentar viabilizar candidaturas de vereador”, exemplifica.

No final desta semana, o partido deve colher o resultado da primeira pesquisa qualitativa sobre a eleição municipal. A quantitativa só será feita quando a propaganda eleitoral estiver no ar.

Câmara Municipal

Padilha classifica como “fato importante” o componente identitário no partido para a disputa na Câmara Municipal. Haverá candidaturas de jovens, mulheres, pretos e pretas e LGBT para “puxar a campanha”. “O PT vai ter uma chapa grande de vereadores. Pelo menos os vereadores atuais, mais quatro ex-vereadores, como o Nabil Bonduki, gente que ficou como suplente e tem muita candidatura jovem, de umas quatro ou cinco mulheres, tanta da periferia quanto da região central da cidade”, diz.