Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Em São Paulo, reta final é marcada por disputa acirrada pelo segundo turno

Equipe BR Político

Exclusivo para assinantes

Na última semana antes do primeiro turno da eleição, a Capital paulista tem uma disputa acirrada por uma das duas vagas ao segundo turno. Com o derretimento de Celso Russomanno (Republicanos), candidato apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro, o segundo lugar está empatado com Guilherme Boulos (PSOL) e Márcio França (PSB).

O candidatos à Prefeitura de São Paulo Guilherme Boulos (PSOL), Márcio França (PSB), Celso Russomanno (Republicanos) e Bruno Covas (PSDB)

O candidatos à Prefeitura de São Paulo Guilherme Boulos (PSOL), Márcio França (PSB), Celso Russomanno (Republicanos) e Bruno Covas (PSDB)

O prefeito Bruno Covas (PSDB), ao que indicam as pesquisas, tem vaga consolidada, com 28% das intenções de voto, segundo o último levantamento do Datafolha. No pelotão logo abaixo, no entanto, Russomanno, em tendência de queda, registrou 16%, seguido de Boulos, com 14%, e França, com 13%. A disputa ainda tem um outro candidato com potencial de crescimento na reta final, Jilmar Tatto (PT). Apesar de ter 6% das intenções, o petista tem a estrutura de um dos maiores partidos no páreo.

Nesse cenário e sem margem para acomodação das campanhas, a briga promete ser acirrada na última semana antes do pleito, segundo os marqueteiros das campanhas consultados pelo BRP.

Russomanno pretende apelar ainda mais ao eleitorado bolsonarista nesta última semana. De acordo com o marqueteiro do candidato, Elsinho Mouco, a estratégia será de colocar o presidente como protagonista das peças publicitárias e atrelar o nome do candidato ao de Bolsonaro ao máximo.

“Tem muita gente bolsonarista que ainda não sabe que o presidente está apoiando o Celso. Vamos ser propositivos e bolsonaristas, esses dois pilares são o que levaremos no final da campanha”, afirmou ao BRP. Desde o fim de semana, o presidente tem aparecido na propaganda eleitoral do candidato na TV, em que pese a alta rejeição a nomes indicados pelo chefe do Planalto nesta eleição.

Além da queda nas intenções de votos, Russomanno também viu a sua rejeição crescer mais do que a de todos os outros candidatos na cidade. Mouco atribui esse crescimento ao caixa da campanha inferior ao de outros candidatos em São Paulo.

O Republicanos, que em São Paulo fazia parte da base da gestão Covas, repassou ao candidato R$ 977 mil até o momento. “Ele teve 10% do valor que o Bruno teve. Isso prejudicou na questão da rejeição, é muita gente batendo. Porque não existe gratuidade em rede digital. O investimento digital é fundamental para a formação da persona do candidato”, justifica Mouco.

Segundo o marqueteiro, a perspectiva é de que o partido libere mais verba a Russomanno no segundo turno. “Com mais tempo, aí, sim, vamos montar uma estrutura tipo a que o Bruno teve no primeiro, muito tempo, uma verba maior, o partido vai passar um orçamento maior para o Celso”, afirmou.

De acordo com ele, Bolsonaro também não planejou nenhuma ação específica de apoio à campanha para esta semana e a expectativa é de que ele reforce a atuação para além de suas lives apenas num eventual segundo turno.

Já a aposta de França em uma candidatura mais de centro e potencial ida ao segundo turno é cenário que assusta os tucanos, que em 2018 obtiveram menos votos que o ex-governador na Capital no pleito ao governo estadual. Ciro Gomes, do PDT que forma coligação com o PSB na chapa, fez campanha a favor de França nesta tarde de segunda, 9, em São Paulo.

Segundo o coordenador da campanha do candidato, Raul Cruz Lima, o foco será no que chamou de “pessoas comuns”, que não dariam importância a partidos ou espectros políticos de direita ou esquerda.

“Nas pesquisas que a gente faz, por exemplo, vejo coisas absurdas, como uma pessoa falando que sempre votou no Lula, na última eleição, votou no Bolsonaro. Por causa do Bolsonaro, está pensando em votar no Russomanno, vamos ver como ele se comporta, se ele não se comportar bem, aí eu vou votar no Márcio França”, aposta o estrategista. A expectativa é de que o discurso anti-Doria adotado pelo candidato possa rendê-lo votos de bolsonaristas que rejeitam o governador, que derrotou França no Estado em 2018.

Já no campo tucano, a ordem é “não mexer em time que está ganhando”. Segundo o coordenador da campanha de Covas, a ideia é reforçar a mensagem nesta semana de que o prefeito é o mais preparado para o cargo, uma vez que enfrentou queda de edifício no centro da cidade, queda de viaduto, ponte, enchente recorde dos últimos 70 anos, pandemia de covid-19 e um câncer. “Não vamos mirar nos adversários nem fazer mágica”, diz Wilson Pedroso, acrescentando, no entanto, que irão “combater as fake news”, o que pode ser traduzido em judicializar ataques de adversários.

A equipe de Boulos pretende mirar na periferia da Capital, onde o líder do MTST não é tão conhecido, e em debates nesta semana. Seu coordenador de campanha afirma que vão seguir com agendas presenciais e atrações nas redes sociais. “Estamos em segundo lugar na pesquisa espontânea e temos uma taxa de conhecimento relativamente baixa, o que mostra que, à medida que os eleitores têm acesso às nossas propostas, há uma grande probabilidade de que eles votem na nossa candidatura. A próxima semana também terá uma série de debates, o que deve fazer com que o candidato se divida entre agendas de rua e a presença neles”, afirmou Josué Rocha.

Do mesmo mal do desconhecimento passa o petista Tatto. Nesta semana, a campanha pretende visitar todas as zonas eleitorais da Capital e investir de forma incessante na periferia para torná-lo menos estranho ao eleitorado, além de exibi-lo mais em entrevistas. O ex-prefeito Fernando Haddad também deve reforçar o time nesta reta final. Mais críticas a Covas também estão no radar. / Roberta Vassallo e Alexandra Martins