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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Em texto, Ernesto Araújo diz que ‘chegou o comunavírus’

Equipe BR Político

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Em meio à pandemia do novo coronavírus, o chanceler Ernesto Araújo publicou em seu site, na madrugada desta quarta-feira, 22, um texto em que afirma que a sociedade precisa se atentar para o risco do “comunavírus”. “O coronavírus nos faz despertar novamente para o pesadelo comunista”, enuncia o texto, cujo título é “Chegou o comunavírus”.

Texto publicado pelo minsitro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo

Texto publicado pelo minsitro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo Foto: Reprodução

No texto, o ministro das Relações Exteriores se propõe a citar e comentar trechos do livro “Virus”, de Slavoj Žižek, “um dos principais teóricos marxistas da atualidade”, afirma. No entanto, ele aproveita para questionar as intenções da Organização Mundial da Saúde (OMS), que estaria se aproveitando da pandemia para contribuir com a construção do comunismo.

“Não escapa a Žižek, naturalmente, o valor que tem a OMS neste momento para a causa da desnacionalização, um dos pressupostos do comunismo. Transferir poderes nacionais à OMS, sob o pretexto (jamais comprovado!) de que um organismo internacional centralizado é mais eficiente para lidar com os problemas do que os países agindo individualmente, é apenas o primeiro passo na construção da solidariedade comunista planetária”, escreveu o ministro.

China

O ministro também usa citações do livro para tecer comentários sobre a China. “Não surpreende que, ao menos até agora, a China – que já empregava largamente sistemas de controle social digitalizado – se tenha demonstrado a mais bem equipada para enfrentar a epidemia catastrófica. Deveremos talvez deduzir daí que, ao menos sob alguns aspectos, a China represente o nosso futuro? Não nos estamos aproximando de um estado de exceção global?”, diz um trecho. E segue: “Mas se não é esse (o modelo chinês) o comunismo que tenho em mente, que entendo por comunismo? Para entendê-lo, basta ler as declarações da OMS”.

Segundo o ministro, “Žižek tem uma atitude ambígua em relação à China”, pois “admira o que considera o êxito chinês no controle social, mas ao mesmo tempo não parece querer identificar a sua própria concepção de comunismo com o regime chinês, talvez porque o comunismo, ao final das contas, exige o fim do Estado, enquanto a China representa o modelo de Estado forte que o comunismo visa a superar”.

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