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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Embrapa alega que incêndios na Amazônia ocorrem em áreas já desmatadas

Equipe BR Político

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A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) divulgou nesta sexta-feira, 24, uma nota técnica em que alega que a maioria dos focos de incêndio na floresta amazônica ocorrem em áreas já desmatadas. O governo federal tem sofrido inúmeras críticas depois dos últimos dados divulgados Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) sobre a alta de queimadas e desmatamento na área.

Queimada na Floresta Amazônica

Queimada na Floresta Amazônica Foto: Gabriela Biló/Estadão

A estatal, que é vinculada ao Ministério da Agricultura, afirmou que os responsáveis pelas queimadas são os pequenos produtores já instalados na região, por conta da falta de tecnologias mais modernas para o preparo de terrenos, e que nenhuma área nova de cultivo foi desmatada. “Arredondando, 90% das queimadas detectadas em 2019 ocorreram em locais já desmatados e estão associadas ao uso do fogo na agropecuária por produtores pouco tecnificados”, diz o documento.

Os resultados obtidos pela Embrapa foram do cruzamento de dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) com as informações do Cadastro Ambiental Rural (CAR/SFB). Segundo o cruzamento, em 2019 foram 76.016 queimadas em áreas de desmatamento já consolidado na Amazônia. De acordo com o documento, a existência de queimadas em 2019 no perímetro de 24.292 imóveis rurais da região, correspondentes a 5% dos 489.808 das propriedades registradas na área já desmatada da floresta. “Ou seja, 95% dos imóveis rurais situados nas áreas consolidadas de agropecuária no bioma Amazônia não fizeram o uso do fogo em suas práticas produtivas, em 2019”, explica a Embrapa.

A estatal recomenda o aumento de crédito rural para o emprego de tecnologias ao invés do uso do fogo e o treinamento de agricultores já instalados na região da floresta. “A queima da palha como preparo para a colheita manual foi totalmente eliminada com a introdução da mecanização e de novas máquinas adequadas a colheita da cana crua, sem queimadas”, diz o documento. “No bioma Amazônia, para cerca de um milhão de produtores lá instalados, o primeiro passo para tal mudança é a regularização fundiária, sem a qual eles não têm, nem terão, acesso a políticas públicas”, conclui a nota.

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