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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Empresas europeias pressionam por moratória da soja na Amazônia

Equipe BR Político

Um grupo de 87 companhias da Europa enviou uma carta ao governo brasileiro em 2 de dezembro, pedindo que o desmatamento na Amazônia para a produção de soja seja interrompido e colocando a demanda como condição a investimentos no País. O documento pede a extensão da moratória da soja na região, um acordo em vigor desde 2006 entre exportadores de soja, compradores, entidades da sociedade civil e governo para o não desmatamento de novas terras para a produção do alimento. 

Entre as empresas que assinam a carta estão alguns dos maiores produtores de alimentos, gestores de ativos e redes de supermercados europeus, como Tesco, Aldi, Asda e Carrefour. 

Enviada durante a Conferência do Clima da ONU, a COP-25, a carta chega em momento de grandes expectativas para a produção brasileira de soja no próximo ano. Se confirmada a estimativa divulgada nesta terça-feira, 10, pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), de colheita de 246,6 milhões de toneladas de grãos em 2020 puxada por alta na safra da soja, o Brasil se tornará o maior produtor da commodity do mundo, ultrapassando os EUA.

De acordo com o documento, a maior preocupação do grupo é de que o crescimento da produção possa colocar ainda mais em risco a floresta amazônica. Neste ano, o País registrou taxa de desmatamento recorde na região, com um aumento de 29,5% em relação ao ano anterior, de acordo com dados do Inpe. 

O acordo da moratória da soja é alvo de pressão de produtores agrícolas que encontram respaldo no governo do presidente Jair Bolsonaro pela sua revogação. Ele foi estabelecido em parte pelo interesse de exportadoras brasileiras, para que a soja brasileira pudesse entrar em mercados exigentes, como o europeu. As empresas se comprometeram a não comprar soja de áreas da desmatadas da Amazônia depois de julho de 2008 e já reduziu em cerca de 80% o desmatamento na região para a plantação do grão.

“O objetivo da carta foi o de assegurar aos nossos membros que a moratória da Amazônia não vai acabar”, afirmou a consultora de políticas de sustentabilidade Leah Riley Brown, do Consórcio Britânico de Varejo (BRC, na sigla em inglês e que reúne 70% do setor no Reino Unido) ao Broadcast Estadão. O documento foi enviado inicialmente ao embaixador do Brasil em Londres, Fred Arruda.

O embaixador informou ao grupo que compartilhou as preocupações com autoridades do governo e afirmou que “no Brasil, todos os níveis de governo e a sociedade como um todo compartilham o compromisso de eliminar o desmatamento ilegal e promover cadeias de suprimento sustentáveis”. De acordo com apuração do Broadcast, o documento chegou a representantes dos ministérios de Relações Exteriores e de Agricultura e associações do setor privado.