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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Entes federados terão de ‘caminhar por conta própria’ em educação até 2022

Equipe BR Político

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Em análise sobre os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2019 divulgados nesta terça, 15, a presidente da ONG Todos pela Educação, Priscila Cruz, afirmou que os Estados e municípios terão de andar com as próprias pernas na área de educação até 2022, uma vez que o MEC está atualmente “desaparecido” enquanto propulsor de políticas públicas para o setor. Como você leu mais cedo aqui no BRP, o ensino médio do País teve o maior crescimento da história no Ideb em 2019, estagnado desde 2009.

Priscila Cruz, presidente executiva do Todos Pela Educação, defende o adiamento do Enem Foto: Hélvio Romero/Estadão

Segundo ela, a contribuição da atual gestão da pasta, sob o comando de Milton Ribeiro, há dois meses na cadeira, nos resultados apresentados hoje, depois das desastrosas passagens de Ricardo Vélez e Abraham Weintraub, é limitada.

“Mais grave ainda, porém, é que olhando para o futuro próximo, está cada vez mais claro que os Estados e Municípios terão de caminhar por conta própria, pelo menos até 2022. Se em 2019 tínhamos um MEC beligerante, agora temos um MEC desaparecido. Do ponto de vista da tão necessária transformação em escala nacional, que seja capaz de melhorar os resultados para todos e reduzir as vergonhosas desigualdades, a ausência do MEC é crítica e não pode ser menosprezada”, afirmou ela.

Sobre os dados do Ensino Fundamental I, houve uma desaceleração no crescimento do Ideb nos anos iniciais, que vinha crescendo entre 0,3 e 0,4 ponto por edição. Em 2019, avançou 0,2 ponto em relação a 2017 e chegou a 5,9. A meta proposta (5,7) foi superada em 0,2 ponto. Para Patrícia, o Ceará continua sendo um exemplo. “A narrativa de “terra arrasada” é equivocada, mas joga um alerta sobre uma possível perda de ritmo do ponto de vista nacional. Aqui, a experiência de enorme êxito de alguns Estados, em particular o Ceará, em promover transformações em todos os seus municípios a partir de uma ação de forte articulação e colaboração do Estado com os municípios, precisa mais uma vez estar no topo das conversas”, disse.

No Ensino Fundamental II, segue trajetória ascendente, crescendo de 4,7 para 4,9 entre 2017 a 2019. “Apesar da evolução, a meta proposta de 5,2 não foi atingida na etapa. E o patamar ainda é crítico. Implementação dos novos currículos orientados pela BNCC, que traz olha mais contemporâneo para a etapa, pode ser importante impulsionador de mudanças mais vigorosas”, complementa.

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