Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Marcelo de Moraes

Ernesto Araújo defende sua política mesmo com Brasil sendo ‘pária internacional’

Equipe BR Político

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O ministro Ernesto Araújo parece pouco preocupado com a possibilidade do Brasil virar um “pária internacional” por causa de sua política externa. O chanceler defendeu durante cerimônia de formatura do Instituto Rio Branco que, independentemente das consequências, o governo continuará defendendo suas pautas ante outros países. “Sim, o Brasil hoje fala em liberdade através do mundo. Se isso faz de nós um pária internacional, então que sejamos esse pária”, disse, lembrando que o Brasil esteve com discurso alinhado com os EUA na ONU.

Durante a fala, Ernesto voltou a tratar de alguns de seus temas favoritos. E que tem pouca reverberância no cenário internacional. O chanceler atacou o “globalismo”, o marxismo e ao “covidismo”, ou as políticas de combate ao coronavírus adotada por boa parte do mundo civilizado e desprezadas pelo governo Bolsonaro.

“Talvez seja melhor ser esse pária deixado ao relento, do lado de fora, do que ser um conviva no banquete do cinismo interesseiro dos globalistas, dos corruptos e dos semicorruptos”, disse. “É bom ser pária. Esse pária aqui, esse Brasil; essa política do povo brasileiro, essa política externa Severina —digamos assim— tem conseguido resultados.”

Na fala do ministro, sobrou até para o poeta João Cabral de Melo Neto (1920-1999). Apesar de citar “Vida e Morte Severina”, obra-prima do autor, Ernesto criticou o artista por ter “enveredado” ao “comunismo”, uma acusação que fez Melo Neto ser afastado a época de seu emprego no Itamaraty. “Sua utopia, esse comunismo brasileiro de que alguns ainda estão falando até hoje, constituía em substituir esse Brasil sofrido pobre e problemático [na obra de Melo Neto] por um não Brasil. Um Brasil sem patriotismo, sujeito naquela época aos desígnios de Moscou.” O poeta foi absolvido posteriormente pelo STF pela acusação de construir uma “célula comunista” no ministério.

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