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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Chanceler faz discurso ‘incoerente’ e ataca ‘climatismo’

Equipe BR Político

Enquanto as cidades brasileiras batem recorde de calor em pleno inverno, em palestra na Heritage Foundation, em Washington, o ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, criticou o que chamou de “climatismo” e afirmou que há um “alarmismo climático”. Tudo isso, seguindo a cartilha que é comum a membros do governo: sem citar dados ou estudos para justificar as referências que, ao atacar a ideologia, são bastante ideológicos.

O ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo discursa na Heritage Foundation, em Washington, nos Estados Unidos

O ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo discursa na Heritage Foundation, em Washington, nos Estados Unidos. Foto: Pete Marovich/EFE

Durante cerca de uma hora, Araújo disse que “o ponto do climatismo é acabar com o debate democrático” e que “nem comer carne é permitido mais”. Com citação crítica a Antonio Gramsci, Bertolt Brecht e Rosa Luxemburgo, o ministro falou sobre stalinismo, socialismo, religião, histórica e a importância de “símbolos”.

“Depois de todas as experiências ruins no mundo sobre socialismo, como alguém pode sonhar em impor controle socialista da economia em um país como os EUA? Nunca através do debate democrático, é claro, somente através de uma declaração de emergência. Então ‘crise climática‘. Como alguém em tempos de paz pode sonhar em quebrar a soberania de um país como o Brasil dizendo que a Amazônia está em chamas? De novo por causa de ideologia, dessa reclamação de crise climática, ‘vamos salvar o planeta’”, disse Araújo. “O clima se tornou o silenciador do debate”, afirmou.

O discurso chamou atenção de um colunista de política internacional do Washington Post. Em uma sequência de publicações no Twitter, Ishaan Tharoor se mostrou negativamente impressionado com Araújo. “Este é um discurso fascinantemente ideológico para um ministro das Relações Exteriores no exterior (e um tanto incoerente)”, escreveu.