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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Araújo troca Venezuela por evento sobre religião com Trump

Equipe BR Político

O chanceler brasileiro Ernesto Araújo trocou nesta segunda, 23, uma reunião prevista com o Grupo de Lima, que discute a crise na Venezuela, por um debate sobre liberdade religiosa com o presidente americano Donald Trump, em Nova York. Já é a segunda vez que o governo do presidente Jair Bolsonaro falta a uma reunião do grupo: há três meses, durante o G-20 de Osaka, o presidente deu uma entrevista à imprensa no horário marcado.

O ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo

O ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Foto: Pete Marovich/EFE

O Grupo de Lima foi criado em 2017 com o objetivo de buscar soluções para a situação na Venezuela. O fórum reúne chanceleres de 14 países, dentre eles Brasil, Colômbia, Argentina, México e Canadá. O fórum tenta aumentar a pressão sobre o presidente venezuelano Nicolás Maduro.

Segundo o Broadcast Político, Trump e o vice-presidente americano Mike Pompeo estavam presentes no evento sobre liberdade religiosa ao qual Araújo compareceu. É a primeira vez que um presidente americano participa de um evento sobre liberdade religiosa na ONU. “Os Estados Unidos são fundados no princípio de que nossos direitos não vêm do governo. Eles vêm de Deus”, disse o líder americano, no evento.

Você já leu aqui no BRP que organizações religiosas têm influência no governo de Trump. É o caso da associação evangélica Capitol Ministries, que tenta se aproximar do presidente Jair Bolsonaro. No Brasil, evangélicos também estão pressionando a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Receita Federal por medidas que favoreçam os interesses do grupo.

Ainda nesta segunda, 23, Araújo é esperado em outra reunião para debater a situação venezuelana: o encontro de países da OEA que discutirá uma possível utilização do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (Tiar) no caso venezuelano. Como você viu no BRP, o tratado pode resultar em interrupção das relações diplomáticas e, em último caso, permitiria uma intervenção militar no país vizinho – apesar de essa hipótese ser considerada improvável.