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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Ernesto e o ‘match’ com o governo da Eslovênia

Vera Magalhães

Ainda em processo de aceitação do fato de se tornar órfão de Donald Trump, o Itamaraty sob Ernesto Araújo parece procurar, ao redor do mundo, governos nos quais se espelhar. Encontrou um, de importância diplomática, econômica e política, digamos, “ligeiramente” menor que os Estados Unidos.

A conta oficial do Ministério das Relações Exteriores postou no Twitter, em pleno sábado, que Ernesto realizou uma videoconferência, uma “ótima conversa”, com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Eslovênia, Anže Logar.

Trata-se de uma busca por afinidades ideológicas. O governo a que Logan serve, do primeiro-ministro Janez Jansa, tem várias semelhanças de concepção e de prática com o bolsonarismo. O assunto, aliás, foi tema de um fio no Twitter há alguns dias da pesquisadora Michele Prado, que está em fase de finalização de um livro sobre a alt-right e a far-right internacionais, e seus ecos no Brasil, por meio do bolsolavismo.

Nas postagens, ela apontou, entre outras características em comum o fato de Jansa, assim como Bolsonaro, ser um ativo usuário do Twitter, e a forma como as suas redes e de seus apoiadores é usada para atacar veículos de imprensa e jornalistas pessoalmente.

Artigo da revista Foreign Affairs descreve o fenômeno e alinha Jansa ao grupo de chefes de Estado negacionistas, afeitos a teorias da conspiração e que não admitem a derrota de Trump. Ele também é próximo do autocrata húngaro Viktor Orban. Diante desse quadro, não é de admirar que tenha havido um “match” instantâneo entre Araújo e seu par esloveno.