por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Ernesto repete que ‘nazismo é de esquerda’

Marcelo de Moraes

No seu blog pessoal, o ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araujo, publicou, neste sábado, novo texto onde reafirma sua opinião de que “o nazismo é de esquerda”. Criticado fortemente por defender a tese, o chanceler atribuiu essa contestação justamente à esquerda e ao mainstream. “A esquerda fica apavorada cada vez que ressurge o debate sobre a possibilidade de classificar o nazismo como movimento de esquerda. Dá a impressão de que existe aí um perigoso segredo de família, cuidadosamente guardado. Eu opinei que o nazismo é de esquerda, e imediatamente a esquerda (junto com o mainstream por ela dominado sem o saber) chegou correndo com seus extintores de incêndio, ou melhor, seus extintores de verdade, tentando apagar essa ideia”, escreveu o ministro.

Ernesto recorre, então, a um contorcionismo de argumentos para tentar sustentar sua tese. “Podemos facilmente notar que o nazismo tinha traços fundamentais que recomendam classificá-lo na esquerda do espectro político. O nazismo era anti-capitalista, anti-religioso, coletivista, contrário à liberdade individual, promovia a censura e o controle do pensamento pela propaganda e lavagem cerebral, era contrário às estruturas tradicionais da sociedade. Tudo isso o caracteriza como um movimento de esquerda. Portanto, o nazismo era anti-liberal e anti-conservador. A esquerda também é anti-liberal e anti-conservadora”, escreve. “Já a direita foi em alguns casos anti-liberal (durante o século XIX na Europa, por exemplo), em outros casos anti-conservadora (ou pelo menos não-conservadora, indiferente aos valores conservadores, como no caso do neoliberalismo recente), mas nunca foi anti-liberal e anti-conservadora ao mesmo tempo. Em tal sentido, o nazismo se sente muito mais confortável no campo da esquerda do que no da direita. De maneira esquemática, podemos dizer que o nazismo constituiu um amálgama esquerdista-conservador, onde a ideologia revolucionária capturou e utilizou para seus fins um dos importantes elementos do campo conservador, o nacionalismo”, afirma.

 

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