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por Marcelo de Moraes

Erundina: Coligação pode ser início de frente nacional de esquerda

Equipe BR Político

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A vice da chapa de Guilherme Boulos (PSOL) em São Paulo, Luiza Erundina (PSOL), que já passou pelo PT e PSB, considera que a união de apoios do campo da esquerda e centro-esquerda em torno da dupla no segundo turno em São Paulo pode ser o ponto de partida de uma frente ampla de esquerda na política nacional. A chapa recebeu apoio de Lula (PT), Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (Rede) e Flávio Dino (PCdoB), todos eventuais presidenciáveis em 2022.

A vice de Guilherme Boulos (PSOL) na eleição à Prefeitura de São Paulo, Luiza Erundina (PSOL)

A vice de Guilherme Boulos (PSOL) na eleição à Prefeitura de São Paulo, Luiza Erundina (PSOL) Foto: Dida Sampaio/Estadão

“Há muito em comum entre esses partidos. É que a nossa cultura política não tem sido historicamente uma cultura de frente, de unidade de forças”, disse a ex-prefeita em sabatina da Folha/Uol nesta quarta-feira, 25. “Poderá ser o início de uma frente de partidos democráticos populares que possam continuar ajudando a governar a cidade, ou governar a cidade junto e ao mesmo tempo fazendo a política no País, no Estado e no município.”

Erundina afirma que uma eventual união mais duradoura do que os 15 dias que separam o primeiro turno do segundo da eleição entre os partidos se daria pela identificação de pautas e não por eventuais trocas de favores. “Quando isso se dá e se dá sempre com a direita e com o conservadorismo, é em troca de interesses. O próprio vice não foi uma escolha livre do prefeito Bruno Covas foi uma exigência do governador numa barganha provavelmente para 2022. O MDB ia apoiar o candidato do PSDB à Presidência da República. No nosso caso não”, argumenta. 

A candidata ainda acusou o vice de Bruno Covas (PSDB), Ricardo Nunes (MDB), de se esconder pois “deve explicações à sociedade”. Nunes se ausentou da sabatina, que seria feita com ambos os vices do segundo turno da disputa. O vereador é suspeito de envolvimento com a chamada máfia das creches na cidade e, durante a campanha, teve resgatado um boletim de ocorrência de violência doméstica registrado por sua mulher. Covas tem evitado trazer o vice à campanha e questionado sobre as acusações em debates e sabatinas, tem defendido Nunes dizendo que ele não é alvo de nenhum processo na Justiça.

Governabilidade

Se eleito, Boulos terá que lidar com uma Câmara Municipal com maioria composta por siglas não aliadas, ao contrário de Covas, que sairia com maioria na base de parlamentares. Questionada sobre a governabilidade da gestão, um dos grandes problemas que ela própria enfrentou quando foi prefeita na Capital, também com minoria na Casa, Erundina repetiu a defesa de Boulos de que a negociação pode ser feita com apoio da pressão popular, assim como tentou fazer quando chefiou o Executivo da cidade.

“Concordo que é necessário que se tenha uma relação de diálogo, entendimento, mas o que dá mesmo sustentabilidade numa relação de minoria entre Executivo e Legislativo quando não se quer ceder a princípios, valores, compromissos originais que estão na base da proposta, do programa, é recorrer ao poder popular”, disse. 

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