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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Erundina contesta Bianco, se emociona e é aplaudida

Equipe BR Político

A deputada federal Luiza Erundina (PSOL-SP), de 84 anos, contestou as informações apresentadas pelo secretário adjunto de Previdência e Trabalho, Bruno Bianco, com um forte discurso autobiográfico nesta tarde de quarta, 22, na Comissão Especial da reforma da Previdência. Ele primeiro apresentou números contra alguns “equívocos sobre a população rural”. Segundo ele, “quase 3/4 das pessoas que ingressam precocemente no mercado de trabalho, residem em áreas urbanas. Mais de 60% dos extremamente pobres residem em áreas urbanas. Portanto, repito: falácias, equívocos interpretativos que confundem a população”.

Erundina, no seu momento de fala, de forma veemente, afirmou que a população urbana foi formada nas cidades depois que a rural foi expulsa do campo pelo latifúndio. “Meu pai era agricultor sem terra. Minha mãe passava as noites de sábado torrando café e fazendo bolo para vender na feira. Quando tinha seca, e enfrentamos duas, era levar a filharada para algum lugar desse país para que não se morresse de fome e sede. Trabalhei mais de 30 anos na periferia de São Paulo e encontrei muita pobreza. Muitos pobres vieram do campo, expulsos pelo latifúndio, expulsos pelas condições de sobrevivência no campo (…) Os senhores que vieram aqui falar em nome desse governo que dorme e sonha o que pode fazer de mau contra os pobres, os senhores não merecem estar aqui nesta Casa. O senhor (Bruno) não tem o direito de questionar os números de quem estuda e vive no dia a dia a realidade do campo. Desculpem o meu excesso, é que eu fui expulsa pelo latifúndio no Nordeste pela ditadura porque eu lutava pela reforma agrária”, concluiu a parlamentar, emocionada, sendo aplaudida por vários colegas do colegiado sob o olhar atento de Bianco.

 

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