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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Esquerda no ‘rehab’ lulista

Vera Magalhães

Partidos como PSB, PDT, Rede e PV tentam um “rehab” da dependência da esquerda em relação ao PT e procuram se descolar da influência de Lula –ainda total em siglas como PC do B e PSOL– com vista a algum projeto alternativo para 2022. O problema é que faltam projeto e um líder claro para a empreitada, e é sobre isso que escrevo na minha coluna desta quarta-feira no Estadão.

O PSB, que fez congresso de refundação recente, adota uma agenda de responsabilidade fiscal nas administrações que comanda, se afastou do Foro de São Paulo e vai cumprindo os passos do “detox” petista. Mas ainda esbarra em contradições, como no caso da punição a um jovem deputado, Felipe Rigoni, por ter votado a reforma da Previdência.

Diante de uma esquerda que vira e mexe tem crise de abstinência do cachimbinho lulista e um centro que ameaça descer do muro, mas não desce, pesquisas mostram Bolsonaro e Lula confortáveis na situação de dois polos do cada vez mais interditado debate político no Brasil.

A ponto de Lula nem esconder, para silêncio cúmplice do eleitorado de esquerda que adora gritar “fascismo!” nas redes sociais, que prefere perder de novo para Bolsonaro a abrir uma alternativa de esquerda ou de centro à cada vez mais putrefata hegemonia petista. E há quem assista anestesiado a isso e entoe o refrão: “Mais uma dose? É claro que eu tô a fim”.