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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Esquerda quer nacionalizar sucessão municipal

Marcelo de Moraes

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Depois de enfrentar uma onda antipetista na eleição municipal de 2016 e ser derrotado pela candidatura de direita de Jair Bolsonaro, em 2018, o PT quer se agarrar aos seus principais líderes para tentar se recuperar nas urnas. Os petistas querem usar a campanha municipal para nacionalizar a disputa e defender o que consideram o legado político dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) discursa em São Bernardo do Campo (SP)

A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) discursa em São Bernardo do Campo (SP). Foto: Amanda Perobelli/Reuters

A estratégia mostra como dirigentes de esquerda, especialmente os do PT, ainda se prendem a ideias antigas. O maior problema dessa tática é que a rejeição sofrida pelo petismo e por outras legendas de esquerda com os escândalos gerados nas administrações petistas, como o mensalão e o petrolão, são associados a Lula e Dilma. Trazer os dois para o centro da campanha, pode até funcionar em parte, mas também trará de volta lembranças negativas. Como a prisão de Lula e o impeachment de Dilma, por exemplo.

Outra força da esquerda, o Psol, planeja nacionalizar as campanhas locais focando na crítica ao governo de Bolsonaro. Apesar de reconhecer que as eleições municipais tratam de temas muito mais próximos do dia a dia da população, o comando do partido entende que as eleições de 2020 serão “um episódio fundamental da luta pela democracia e do combate ao bolsonarismo nos quatro cantos do Brasil”.

“Estamos diante de uma dupla tarefa: primeiro, apresentar no âmbito local uma saída à esquerda para a crise que vivemos; segundo, conter o avanço das forças de extrema-direita e seus sócios minoritários nas administrações municipais Brasil afora. Para isso, colocamos o fortalecimento do Psol como tarefa número um a ser cumprida”, diz a resolução tomada pelo Psol essa semana.

A estratégia assumida por dois dos principais partidos de esquerda indica que ambos estão mirando as eleições de 2022, quando Bolsonaro deverá tentar se reeleger. Por isso, a esquerda quer apostar no desgaste político da administração bolsonarista e se colocar desde já como o principal polo de oposição ao presidente.

O PT lançou essa semana a campanha “Na hora do vamos ver, quem defende você é o PT”, para defender seu legado. “O PT está sempre ao lado do povo brasileiro nas lutas e conquistas mais importantes para o país e para os trabalhadores. É o partido que, no governo ou na oposição, sempre coloca o povo em primeiro lugar”, anuncia a campanha, logo na sua abertura.

Enquanto tenta nacionalizar a campanha, o PT encontra dificuldade, até agora, para embalar suas candidaturas em algumas das principais capitais. No Rio, o partido aposta na experiência da deputada Benedita da Silva, que disputou a prefeitura pela primeira vez em 1992.

Em São Paulo, a opção foi pelo ex-deputado federal Jilmar Tatto. E o partido tenta justamente acelerar a entrada de Lula na sua pré-campanha para impedir que os eleitores petistas acabem migrando para a candidatura de Guilherme Boulos, do Psol. Dentro do partido, o nome preferido era o do ex-prefeito Fernando Haddad, que não topou participar da disputa.

A luta pelo protagonismo nas eleições municipais pode indicar os primeiros sinais para a disputa presidencial. Se o PT repetir o mau desempenho de 2016, o plano para 2022 ficará cada vez mais difícil de concretizar.

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