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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Está chegando a hora do debate das privatizações

Marcelo de Moraes

Por causa da prioridade dada à discussão da reforma da Previdência, o governo tirou do foco dos holofotes o debate sobre as privatizações. Mas com o relatório da reforma já sendo discutido na Comissão de Constituição e Justiça e passados quase quatro meses do início do mandato presidencial, Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, botaram na rua o debate sobre a venda das estatais.

Claro que o governo já vinha tocando alguns leilões importantes, como o de aeroportos. Mas nada que tenha o peso de colocar na berlinda a possibilidade de privatização de empresas do porte da Petrobrás e dos Correios, por exemplo. Só que essa discussão não pode ser vista como uma surpresa, já que foi cantada em prosa e verso durante a campanha eleitoral de Bolsonaro. É coerente que o presidente e seu principal ministro econômico defendam essas propostas. É jogo jogado. Mas também está no roteiro desse processo as enormes resistências que serão enfrentadas. É provável que a oposição se oponha mais a isso até do que à reforma da Previdência. Isso já está contabilizado desde a campanha. O problema real vai ser lidar com o obstáculo imposto por partidos, que até pregam modernização da economia e a redução do aparato do Estado, mas resistem a apoiar a privatização das estatais por medo da repercussão da opinião pública. Sem falar que, em alguns casos, por se aproveitarem politicamente da estrutura dessas empresas. Mas trata-se um debate inevitável e barulhento. E essa discussão deverá pegar fogo de verdade no segundo semestre. /Marcelo de Moraes

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