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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Evo Morales como bola da vez da artilharia de Eduardo

Equipe BR Político

Com guerra declarada contra o venezuelano Nicolás Maduro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) agora reforça artilharia contra outro vizinho, a Bolívia. O indicado para chefiar a embaixada do Brasil em Washington se opôs novamente à entrada do país no Mercosul. O filho “03” do presidente Jair Bolsonaro acusou o presidente boliviano, Evo Morales, de usar “argumentos esdrúxulos para embasar sua tentativa de reeleição para um 4.º mandato”. Segundo Eduardo, isso pode ferir a cláusula democrática do Mercosul. Anteriormente, o deputado já havia se referido à Bolívia como uma “democracia cambaleante”.

Evo Morales, presidente da Bolívia

Evo Morales, presidente da Bolívia. Foto: Oscar Rivera / AFP

“Não quero causar constrangimento a um outro país, mas já que eles querem entrar no Mercosul, nós só vamos aceitar se for um país democrático”, diz Eduardo no vídeo que acompanha o texto. A Bolívia assinou o protocolo para entrar no Mercosul em 2015, mas a adesão precisa ser ratificada por todos os integrantes do bloco.

Evo Morales é presidente da Bolívia desde 2006. Em 2016, os bolivianos, em um referendo nacional, rejeitaram a possibilidade de Morales concorrer a um quarto mandato. No entanto, uma decisão do Tribunal Constitucional boliviano de 2017 suspendeu artigos da Constituição que vetavam a possibilidade de duas reeleições consecutivas, o que abre caminho para Morales concorrer novamente nas eleições de outubro de 2019.

Segundo o relatório de 2019 da ONG Human Rights Watch sobre a Bolívia, a administração de Evo Morales “criou um ambiente hostil para os defensores dos direitos humanos que mina a capacidade desses profissionais realizarem seu trabalho de forma independente”. Morales, no entanto, é um presidente popular: uma pesquisa do instituto Ciesmori, divulgada em julho, mostra que Morales tem 37% das intenções de voto no país, liderando a corrida presidencial.