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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Ex-ministros e ex-presidentes do BC cobram governo por desmatamento zero

Equipe BR Político

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Em um cenário acentuado de pressão de investidores internacionais, grupo composto por 17 ex-ministros da Fazenda e ex-presidentes do Banco Central assinou uma carta em que cobra ações do governo de Jair Bolsonaro para zerar o desmatamento na Amazônia e no Cerrado. Divulgado hoje, o documento propõe diretrizes para o alcance da chamada economia de baixo carbono, como o investimento em novas tecnologias e o aumento da cooperação internacional.

Na sexta-feira o Inpe atualizou os dados que apontaram que a Amazônia teve a maior devastação para junho em cinco anos

Na sexta-feira, o Inpe atualizou os dados que apontaram que a Amazônia teve a maior devastação para junho em cinco anos Foto: Ricardo Moraes/Reuters

“Nós, ex-ministros da Fazenda e ex-presidentes do Banco Central do Brasil, defendemos que critérios de redução das emissões e do estoque de gases de efeito estufa na atmosfera, e de resiliência aos impactos da mudança do clima sejam integrados à gestão da política econômica. Esses critérios já são, e serão cada vez mais, baseados em tecnologias compatíveis com o aumento da produtividade da nossa economia, a geração de empregos e a redução da desigualdade no Brasil”, diz o texto.

Os signatários da carta alertam que os custos de se “descuidar” dos eventos climáticos poderão ser maiores do que os custos da atual pandemia de covid-19. Enquanto o governo de Jair Bolsonaro sofre a pressão de investidores internacionais contra o aumento do desmatamento da Amazônia, a carta lembra que os mercados financeiros sabem precificar os riscos de longo prazo na área ambiental.

“O prejuízo do desmatamento tem levado diversos parceiros comerciais importantes e investidores estrangeiros no Brasil a expressarem veementemente seu descontentamento e preocupação, que certamente se traduzirão em menores fluxos de comércio e investimentos no País”, destaca o documento. “A crescente disciplina da precificação dos riscos ambientais, inclusive sistêmicos, deverá fortalecer o compromisso com os objetivos de governança, sociais e ambientais”, completa o texto.

Na avaliação dos economistas signatários da carta, a saída da crise pós-covid-19 oferece as oportunidades para essa guinada ambiental na economia, com investimentos públicos e privados nessa direção. Eles lembram as vantagens comparativas do Brasil na área e recomendam a eliminação de subsídios a combustíveis fósseis, a emissão criteriosa de ativos financeiros verdes, a mobilização de fontes de financiamento provado para iniciativas de mitigação e a ampliação da cooperação internacional, informou o Broadcast Político.