Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Exército admite pressão de ‘mídias sociais’ em revogação de portarias

Equipe BR Político

Exclusivo para assinantes

O Comando Logístico do Exército (Colog) admitiu que a revogação de três portarias de controle e rastreamento de armas e munições investigada pelo Ministério Público Federal atendia a pressões da “administração pública e mídias sociais” em ofício na terça-feira, 28. O documento encaminhado à Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, braço do MPF, responde à investigação do órgão de eventual interferência do presidente Jair Bolsonaro em atos exclusivos das Forças Armadas.

Comando Logístico do Exército admitiu que revogação de portarias de controle de armas e munições atendia a pressões da 'administração pública e mídias sociais'

Comando Logístico do Exército admitiu que revogação de portarias de controle de armas e munições atendia a pressões da ‘administração pública e mídias sociais’ Foto: Eraldo Peres/AP

O chefe do Colog, general Laerte de Souza Santos, afirmou que a revogação das portarias de controle de armas, 46, 60 e 61, buscou aprimorar “pontos” de difícil compreensão pelo público. “Ocorre que, tão logo publicadas oficialmente as referidas portarias, surgiram inúmeros questionamentos e contrapontos levantados por diversos setores da sociedade, especialmente nas mídias sociais, e da administração pública em razão da tecnicidade do tema”, justificou o general no ofício. A procuradora Deborah Duprat, no entanto, considerou insuficientes as explicações e cobrou os nomes dos setores da sociedade que levantaram os questionamentos. 

A investigação sobre a suposta interferência de Bolsonaro em atos do Exército foi revelado na segunda, 27, pelo Estadão. A Procuradoria aponta pelo menos quatro atos “infraconstitucionais”, editados desde janeiro, entre eles a revogação das três portarias, que, segundo especialistas, dificultavam o acesso do crime organizado a armas e munições desviadas de quartéis.