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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Facebook derruba rede ligada a gabinete de Bolsonaro e aliados

Equipe BR Político

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O Facebook anunciou nesta quarta, 8, que derrubou uma rede de fake news e perfis falsos ligadas ao PSL e a funcionários dos gabinetes do presidente Jair Bolsonaro, do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e dos deputados estaduais pelo PSL do Rio de Janeiro Anderson Moraes e Alana Passos.

O presidente Jair Bolsonaro, e o deputado federal Eduardo Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro e o deputado federal Eduardo Bolsonaro Foto: Wilton Júnior/Estadão

Segundo a rede social, foram identificadas 35 contas, 14 páginas, um grupo e mais 38 contas no Instagram. No material postado, havia conteúdos relacionados a eleições, memes políticos, críticas à oposição, empresas de mídia e jornalistas, além de material relacionado ao coronavírus. O Facebook afirmou que parte do conteúdo já havia sido removido da plataforma por violação aos padrões de comunidade, como conteúdo de discurso de ódio. As páginas no Facebook tinham 883 mil seguidores, enquanto as contas no Instagram tinham 917 mil seguidores. O diretor de Cibersegurança do Facebook, Nathaniel Gleicher, disse que não podem “afirmar a ligação direta das pessoas citadas, mas podemos afirmar que pessoas associadas a eles e a seus escritórios se envolveram em comportamento inautêntico na plataforma”.

De acordo com o Atlantic Council’s Digital Forensic Research Lab, instituição que realiza análise independente de remoções do Facebook por comportamento inautêntico coordenado, a rede teria como operadores os assessores da Presidência e supostos membros do “gabinete do ódio” Tercio Arnaud Tomaz, José Matheus Salles Gomes e Mateus Matos Diniz. Também é citado como operador Paulo Eduardo Lopes (conhecido como Paulo Chuchu), funcionário do gabinete de Eduardo Bolsonaro e, ligados aos deputados estaduais do Rio de Janeiro, Leonardo Rodrigues de Barros e sua namorada Vanessa Navarro. O primeiro é funcionário do gabinete de Alana e a segundam do gabinete de Anderson Moraes. O Atlantic Council é quem detectou a relação de funcionários dos gabinetes do vereador Carlos Bolsonaro e do deputado estadual pelo PSL de São Paulo Coronel Nishikawa. 

A operação no Brasil gastou US$ 1,5 mil em anúncios no Facebook, que foram pagos em reais (cerca de R$ 8,03 mil). De acordo com a instituição, o envolvimento de funcionários de gabinetes de políticos pode indicar que a operação usou recursos públicos, pois as postagens eram feitas durante o horário regular de expediente.

A ação faz parte da remoção de redes de desinformação que operavam em quatro territórios, postando conteúdo relacionado a assuntos políticos domésticos. Além do Brasil, foram derrubadas redes nos EUA, na Ucrânia e em outros países da América Latina como El Salvador, Argentina, Uruguai, Venezuela, Equador e Chile.