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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Faltam informações sobre saúde de Bolsonaro

Vera Magalhães

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Desde que Jair Bolsonaro informou que estava com covid-19, há uma semana, o que se viu foram as tentativas do presidente de fazer propaganda de cloroquina e hidroxicloroquina e uma inusitada cena na segunda-feira, 13, em que ele foi bicado por uma ema ao tentar alimentá-la.

O presidente Jair Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro Foto: Dida Sampaio/Estadão

Não há boletins médicos diários a respeito do estado de saúde do presidente, informações precisas a respeito de se ele está isolado, inclusive de seus familiares, e até quando permanecerá assim (na cena da ema, vê-se um ajudante de ordens próximo ao presidente, embora os dois estejam usando máscara) e quais os sintomas que ele apresenta ou apresentou, e em que intensidade.

A saúde de um presidente da República é um assunto de Estado e deve ser tratada com a seriedade que temas dessa natureza requerem. Quando o premiê britânico Boris Johnson foi infectado pelo novo coronavírus, sua saúde era reportada diariamente à imprensa por ele ou por meios oficiais do governo do Reino Unido.

Ele também mudou imediatamente a postura: deixou de minimizar os riscos da covid-19 e se tornou mais sóbrio em seus pronunciamentos. Os protocolos do Reino Unido também foram tornados mais rígidos na mesma época.

Os médicos de Bolsonaro se limitaram a dar declarações logo após o anúncio de que o presidente tinha testado positivo, mostrando certo constrangimento em ter de defender a cloroquina, embora fazendo todos os alertas de que cada caso é um.

A Presidência também nunca confirmou oficialmente a informação, dada pelo jornal O Globo, de que Bolsonaro realiza dois eletrocardiogramas por dia, muito relevante por mostrar um protocolo excepcionalíssimo, ao qual a grande maioria dos brasileiros não teria condições de se submeter, para acompanhar o uso dos medicamentos tão alardeados.

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