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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Família de Marielle envia carta a STJ contra federalização de investigações

Equipe BR Político

A família de Marielle Franco se posicionou contra a federalização das investigações do assassinato da ex-vereadora em carta entregue ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) na quinta-feira, 21. O pedido ocorreu após o ministro Sérgio Moro defender a transferência das investigações à esfera federal no mesmo dia. A decisão sobre a mudança cabe ao STJ. Na carta aos ministros da Justiça, a família afirma que seria um retrocesso à elucidação dos crimes. “Esse pedido é movido pela convicção de que a apuração está sendo bem conduzida e que a sua federalização representará um retrocesso lamentável”, diz trecho.

O pedido foi feito pela ex-procuradora-geral da República Raquel Dodge, porém tinha poucas chances de avançar no STJ antes da citação do presidente Jair Bolsonaro em depoimento do porteiro do condomínio onde os acusados do crime se reuniram antes do assassinato, que também era residência do presidente, afirmaram fontes da PGR ao G1. Após investigação, o Ministério Público do Rio de Janeiro sustentou que o porteiro mentiu, a partir de uma perícia feita nos áudios de ligações entre a portaria e as casas do condomínio, como você leu no BRP, que foi questionada por alguns especialistas por ter durado apenas duas horas e meia. Na quarta-feira, 20, ao ser ouvido em inquérito aberto por ordem de Moro para apurar o seu depoimento, o porteiro afirmou que havia se enganado.

Na quinta-feira, 21, Moro afirmou que a menção ao nome do presidente na investigação “é um total desparate”. “Esse é um caso que tem que ser investigado com neutralidade, dedicação e sem politização. Essa questão do envolvimento do nome do presidente nisso aí, para mim, é um total disparate. Uma coisa que não faz o menor sentido. O que se constatou foi um possível envolvimento fraudulento do nome do presidente”, disse à rádio CBN.

Após a repercussão e as afirmações do ministro, a família e amigos de Marielle se posicionaram nas redes sociais, como o deputado Marcelo Freixo (PSOL) e a viúva da ex-parlamentar, Mônica Benício.

Recentemente, investigadores da Polícia Civil do Rio de Janeiro voltaram a ouvir assessores do gabinete do vereador Carlos Bolsonaro para entender melhor qual era a relação entre ele e Marielle, que eram vizinhos de gabinete na Câmara do Rio.