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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Fenae critica proposta do governo de trocar auxílio emergencial por microcrédito

Equipe BR Político

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O plano do governo federal de criar um programa de concessão de crédito para suprir o fim do auxílio emergencial a partir de janeiro foi contestado pela Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), que classificou a proposta como “equivocada”. Segundo a Federação, a ajuda “não vai chegar a quem precisa”.

Fila em frente à uma agência da Caixa Econômica Federal para receber o auxílio emergencial

Fila em frente à uma agência da Caixa Econômica Federal para receber o auxílio emergencial Foto: Alex Silva/Estadão

O programa que o governo estuda criar seria um microcrédito para trabalhadores informais que deixarão de receber o auxílio emergencial, que acaba no fim de dezembro. Os empréstimos seriam oferecidos pela Caixa Econômica Federal, que dispõe de cerca de R$ 10 bilhões para atender ao programa. Segundo apurou o Estadão, o governo pretende chegar a um recurso de R$ 25 bilhões.

O foco do governo é no chamado grupo dos “invisíveis”, que estão na informalidade e até a pandemia não recebiam benefícios de assistência do governo e podem voltar a ficar sem nenhum benefício a partir de 1.º de janeiro. São pelo menos 38,1 milhões de brasileiros nessa situação. 

O presidente da Fenae, Sergio Takemoto, aposta que a medida não deve chegar a todos os que ficarão sem o auxílio. “Como estamos vendo há meses, dificilmente estas milhões de pessoas terão acesso fácil e rápido a financiamentos”, afirma. “Por isso, esta ‘estratégia’ do governo de substituir coisas que são insubstituíveis, que são diferentes, é mais uma aposta em medidas socioeconômicas equivocadas. É mais um engodo”, disse.

“Não somos contrários à ampliação do crédito. Mas, as duas frentes têm que andar juntas e em um processo de transição factível. Assistência social para quem não tem outra forma de sobreviver é totalmente diferente de crédito a juros. Portanto, uma coisa não pode ser trocada pela outra”, avalia.