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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

FHC vê risco de Forças Armadas tomarem ‘gosto’ pelo poder

Equipe BR Político

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O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse considerar um risco a dependência do governo Bolsonaro das Forças Armadas. “Lembro-me de (Salvador) Allende, no Chile, quando começou a nomear militares. Aqui também, quando os governos não são fortes, eles dependem das Forças Armadas, e acho que isso é um risco para as Forças Armadas, porque elas passam a ter gosto pelo poder”, disse em entrevista publicada pelo Estadão nesta terça-feira, 12.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso Foto: Gabriela Biló/Estadão

Filho e neto de militares, FHC disse não considerar que essa situação tenha ocorrido por aqui por enquanto, “mas pode, porque há muitos (militares no poder) e cada vez mais.” O ex-presidente afirmou que a presença cada vez maior dos militares no governo do presidente Jair Bolsonaro é uma “fragilidade política, não uma força”. Segundo ele, com um Executivo “cambaleante”, os demais órgãos, dos Poderes Legislativo e Judiciário, começam a ocupar o “vazio de poder”, o que considera perigoso. 

“Há uma questão que qualquer militar, depois de um certo ponto, não aceita: a desordem. Então eles tentam trazer ordem, e isso é perigoso. Pode acontecer? A pandemia está servindo como uma vacina para demonstrações de rua. Acredito que políticos, profissionais e jornalistas têm a responsabilidade de alertar o país para que não cheguemos a um ponto de desordem, porque depois chegam os militares, e eu não quero isso. É ruim para o país e para eles, que serão responsabilizados pelo que acontecer”, afirmou.

O ex-presidente disse que em sua opinião Sérgio Moro não deveria ter abandonado sua carreira na magistratura para ir atuar na política. Segundo ele, Moro se equivocou na troca do âmbito da Justiça pelo Executivo. “E ficou em uma situação delicada, porque não era um homem predisposto a estas funções (políticas)”, ponderou.