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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Filhos de Bolsonaro ganham mais espaço na crise

Vera Magalhães

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A crise provocada pela pandemia do novo coronavírus aumentou ainda mais o espaço — e as confusões — dos filhos de Jair Bolsonaro. Desde que o surto começou a escalar no Brasil e medidas começaram a ser tomadas em decorrência disso, Flávio, Carlos e Eduardo não só ficaram mais ativos no aconselhamento do pai como passaram a participar de reuniões ministeriais e com governadores e a causar confusões com sua atuação nas redes sociais.

Eduardo provocou um incidente diplomático com a China ao dizer que a responsabilidade pela propagação do vírus era da omissão de dados por parte do governo chinês. O próprio pai teve de entrar em campo e ter uma teleconferência com o presidente chinês, Xi Jinping.

Carlos teve papel de destaque na elaboração da “estratégia” de comunicação de Bolsonaro durante a crise. Foram os três filhos que filmaram e dirigiram o primeiro vídeo em que o presidente, em amparo nenhum em dados científicos e mimetizando discurso de Donald Trump, louvou a possibilidade de uso de hidroxicloroquina no combate ao novo coronavírus. Essa eficácia ainda não é garantida, e o Ministério da Saúde desde então repete todos os dias que não se deve usar o medicamento (eficaz no combate à malária) fora do ambiente hospitalar, e que mesmo no tratamento dos casos graves de covid-19 não há garantia de sucesso.

Também coube a Carlos e ao chamado “gabinete do ódio” a linha seguida por Bolsonaro em seu pronunciamento em rede nacional de rádio e TV na terça-feira, em que instou escolas e comércio a reabrirem e o fim do distanciamento social. O resultado é que ninguém obedeceu a determinação e Bolsonaro ficou ainda mais isolado.

O senador Flávio, normalmente o mais comedido nas redes sociais e o mais “político” dos três, foi ao Twitter atacar o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), já em meio à crise, antes de o Legislativo votar o decreto da calamidade pública.

Na verdade, ele e Eduardo fizeram um ataque “cruzado” aos comandantes das Casas a que ambos pertencem, pois o 03 tratou de fustigar o senador Davi Alcolumbre já depois de este ter sido diagnosticado com covid-19.

Flávio também teve um post removido pelo Twitter no início desta semana, porque divulgou informação incorreta sobre o coronavírus, ao postar um vídeo de janeiro do médico Drauzio Varella minimizando a preocupação com o coronavírus — sendo que depois o médico já atualizou suas posições, dada a chegada do vírus ao Brasil de forma sustentada, algo que não havia em janeiro.

Ministros manifestam incômodo com esse protagonismo ainda maior dos filhos de Bolsonaro, cuja ascendência sobre o pai é uma questão polêmica desde o início do governo. Integrantes do Palácio do Planalto se sentem escanteados e ignorados pelo presidente, que só ouve os filhos.