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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

‘Fim do Lava Jato!’, grita claque de Ciro Nogueira para Bolsonaro

Vera Magalhães

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Escrevi no post anterior que a visita de Jair Bolsonaro se transformou em campanha eleitoral antecipada em São Raimundo Nonato, no Piauí. Mas também foi o ato que marcou de forma mais radical até aqui o divórcio do bolsonarismo com o lavajatismo, iniciado com a saída de Sérgio Moro do governo, em maio.

Além de “Mito, Mito!”, a claque que recebeu Bolsonaro também entoou o coro de “Fim do Lava Jato! Fim do Lava Jato!”

O presidente Jair Bolsonaro em aeroporto no Piauí Foto: André Pessoa/Estadão

Trata-se no mínimo de uma pauta curiosa para o interior do Piauí, com tantas carências, em plena pandemia e crise econômica, não? Não quando se pensa em quem foi um dos cicerones do presidente da República em sua incursão em Estado governado pelo PT: Ciro Nogueira, presidente do Progressistas, o partido mais enrolado na Lava Jato.

Ele mesmo, Nogueira, é réu num dos processos abertos a partir da operação, o do chamado Quadrilhão do PP, como seu partido se chamava antes de fazer um “retrofit” para ficar com um nome mais edificante.

O mesmo PP, como se sabe, foi suporte dos governos Lula, Dilma Rousseff — daí porque está até a medula implicado no mensalão — e Michel Temer. Nogueira mudou de canoa e fez com que houvesse vários “swing votes” a favor do impeachment de Dilma, já na reta final.

É esse o partido que comanda a aproximação de Bolsonaro com um agora desfalcado Centrão. E foi esse o personagem que providenciou a recepção calorosa para o presidente que se elegeu na esteira da Lava Jato e, agora, faz acordo com os atingidos pela operação.

Mais cedo, ao lado do ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, Bolsonaro e Ciro Nogueira jogaram água para cima, para simbolizar a inauguração de um sistema de irrigação na Bahia. O vídeo, postado pelo ministro, foi retuitado pelo senador e réu da Lava Jato