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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Fio BRP: 5 pontos que explicam a crise ambiental

Cassia Miranda

Desde antes de assumir a Presidência, Jair Bolsonaro já demonstrava e afirmava aos quatro ventos que o Meio Ambiente não estaria entre as suas prioridades. Tanto é que Bolsonaro cogitou unir em uma só pasta os ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente. Mas não precisamos ir tão longe para entender a crise ambiental na qual o País está atolado. O BRPolítico  elencou cinco acontecimentos recentes que explicam toda a polêmica que envolve não só a Amazônia e o Brasil, mas que também colocam em xeque o acordo comercial fechado entre o Mercosul e a União Europeia.

1. O Inpe bem que tentou avisar que o desmatamento na Amazônia havia aumentado desde o início do governo Bolsonaro. Mas isso irritou bastante o Planalto, que preferiu questionar os números do órgão. A “ocorrência” levou à saída do diretor do Inpe, Ricardo Galvão.

2. Noruega e Alemanha, os dois principais financiadores do Fundo Amazônia, que desembolsavam mais de R$ 100 milhões para proteger a floresta, decidiram cancelar as suas contribuições. O começo desse imbróglio foi quando o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles convocou uma coletiva de imprensa para criticar o modelo de gestão do projeto. Apesar de Salles ter dito que comunicara aos dois países as mudanças que desejava fazer no fundo, e que tanto a Noruega quanto a Alemanha teriam concordado com a proposta, as respectivas embaixadas negaram as afirmações. As declarações do presidente Bolsonaro sobre o assunto, como sempre, serviram para botar mais lenha na fogueira.

3. E como o País já estava metido em confusão com os nórdicos, Bolsonaro não viu problemas em meio à troca de farpas, de dizer que o País não tinha legitimidade para questionar a política ambiental brasileira. “Noruega? Não é aquela que mata baleia lá em cima, no Polo Norte, não? Que explora petróleo também lá? Não tem nada a oferecer para nós”, disse o presidente. Depois disso, Bolsonaro ainda publicou um vídeo da Dinamarca sobre a caça de baleias e atribuiu à Noruega.

4. Nesta semana, quando o clima de tensão subiu, o presidente, em uma de suas paradinhas para falar com jornalistas, insinuou, mais de uma vez, que ONGs poderiam ser responsáveis pelos incêndios que estão acontecendo na região amazônica. Bolsonaro disse que o Brasil enfrenta uma “guerra da informação” criada a partir do momento em que repasses de verbas para instituições de proteção ao meio ambiente foram suspensas pelo governo. “De modo que esse pessoal tá sentindo a falta do dinheiro. Então, pode estar havendo, sim, pode, não estou afirmando, ação criminosa desses ‘ongueiros’, afirmou.

5. Depois de renovar sua guerra contra as ONGs ligadas ao meio ambiente, Bolsonaro não gostou nada de ver o presidente da França, Emmanuel Macron, chamar a Amazônia de “nossa casa” e convocar os membros do G7 (Alemanha, Canadá, EUA, França, Itália, Japão, Reino Unido e União Europeia) para discutir o que chamou de “crise internacional” das queimadas na região amazônica. Bolsonaro contra-atacou, dizendo que Macron “evoca mentalidade colonialista” e quer “instrumentalizar” uma questão interna do Brasil. A tréplica do francês foi direta e agressiva. Macron disse que Bolsonaro “mentiu” sobre seus compromissos com o meio ambiente e anunciou que, sendo assim, a França se opõe ao acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul”. Essa declaração gerou outros indicativos de embargos à commodities por parte de outros europeus.

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