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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Fio BRP: 5 vezes em que Bolsonaro frustrou o lavajatismo

Vera Magalhães

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Nos últimos dias aumentou o esgarçamento das relações entre o presidente Jair Bolsonaro e sua base mais militante, graças à nomeação de Augusto Aras para a Procuradoria-Geral da República. O fato, no entanto, foi apenas o mais ruidoso de uma escalada de estranhamento entre a base bolsonarista e os defensores da Lava Jato que votaram em Bolsonaro por ver nele a garantia de que o combate à corrupção continuaria e se ampliaria. Mas não tem sido assim que o governo tem se conduzido nos últimos meses. Este fio do BR Político ajuda a lembrar os acontecimentos que afastaram o presidente de seu discurso de campanha nesse campo e frustraram os chamados “lavatajistas”:

O presidente da Republica Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto

Foto: Dida Sampaio/Estadão

  1. Bolsonaro prometeu que Sérgio Moro teria carta branca para agir e seria um superministro. Concordou em passar o Coaf para sua pasta. Em alguns meses, o Coaf voltou para o Ministério da Economia por decisão do Congresso, mas depois foi para o Banco Central por decisão de governo. Roberto Leonel, escolhido por Moro, caiu em desgraça após criticar a decisão do STF que sustou investigações do órgão a partir de um pedido da defesa do senador Flávio Bolsonaro, e caiu.
  2. Ainda na esfera da pasta de Moro, a Polícia Federal entrou na mira. Atendendo a uma ordem do presidente, houve troca de comando na cúpula da PF no Rio, base eleitoral dos Bolsonaro. O diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, está também balançando no posto. Ontem, já hospitalizado, Bolsonaro postou em sua conta no Twitter carta de uma associação de policiais dizendo que a troca de Valeixo não significaria interferência no órgão. A carta foi enviada por meio de Flávio Bolsonaro.
  3. A despeito dos pedidos eloquentes de sua base, que foi às ruas pedir o veto completo à Lei de Abuso de Autoridade, o presidente a sancionou com 19 vetos parciais. A princípio, sua intenção era votar até menos, mas foi convencido por Moro. Ainda assim, disse que autoridades como integrantes do Ministério Público cometem, sim, abusos, dos quais disse já ter sido vítima.
  4. Esquecendo a promessa de que não concederia indultos a presos nos finais de ano, Bolsonaro usou recente live no Facebook para dizer que vai conceder o benefício a policiais que tenham sido presos, a seu ver, de maneira injusta. Pediu nomes a associações de policiais que poderiam ser atingidos por indulto. Abriu até a possibilidade de indultar participantes dos massacres de Eldorado do Carajás e do Carandiru.
  5. Bolsonaro indicou Aras para a Procuradoria-Geral da República em desacordo com seus apoiadores, que já se manifestavam abertamente contra o subprocurador pelo seu passado de defesa de teses de esquerda e proximidade com próceres petistas. Também desagradou Moro, que defendia outro nome, e os integrantes da força-tarefa da Lava Jato, que se manifestaram publicamente contra a escolha fora da lista tríplice.