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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Fio BRP: Como foram os discursos de estreia dos presidentes na ONU

Cassia Miranda

Todo mês de setembro a tradição se repete: em um discurso de 20 minutos, o presidente do Brasil abre os trabalhos da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Este ano, no entanto, o que até 2018 era uma fala meramente protocolar, ganhou ares de protagonismo – e polêmica – por conta da retórica adotada pelo presidente Jair Bolsonaro em relação a representantes de outras nações que questionaram recentemente a política ambiental adotada por ele, principalmente no que diz respeito ao combate às queimadas na Amazônia.

Em geral, os discursos presidenciais estão ligados ao contexto doméstico do Brasil e àquilo que o País pode oferecer ao mundo no que se refere às relações internacionais, de acordo com o professor de Relações Internacionais e Ciência Política da FGV Guilherme Casarões. Neste sentido, como você leu no BRP, em seu debute nas Nações Unidas, o presidente Jair Bolsonaro deve reafirmar a soberania do Brasil sobre a Amazônia, mas sem comprar novas brigas. Veja neste fio BRP o que os ex-presidentes FHC, Lula, Dilma e Temer disseram em seus discursos de estreia na Assembleia-Geral da ONU. Siga o fio:

 

1. FHC, 2001 – O contexto da fala do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é o de pós-ataque terrorista de 11 de setembro. A conferência, inclusive, precisou ser adiada para novembro por causa da queda das duas torres gêmeas no centro de Nova York, cidade que sedia o evento. O discurso de FHC foi conectado ao tema. “A sombra nefasta do terrorismo demonstra o que se pode esperar se não formos capazes de fortalecer o entendimento entre os povos”. Em oito anos na Presidência, essa foi a primeira vez que FHC falou na abertura do evento.

Fernando Henrique Cardoso, então presidente do Brasil, discursa na Assembleia-Geral da ONU

Foto: Roberto Castro/Estadão

2. Lula, 2003 – O primeiro ano do governo petista. Depois de dois mandatos de uma governo liberal e de direita, Lula tinha o compromisso de usar o tempo de discurso para apresentar ao mundo a que veio. “Não há dúvida de que a maioria da sociedade votou pela adoção de outro ideal de país, em que todos tenham os seus direitos básicos assegurados. A maioria da sociedade brasileira votou pela adoção de outro modelo econômico e social, capaz de assegurar a retomada do crescimento, do desenvolvimento econômico com geração de emprego e distribuição de renda”. Apenas em duas ocasiões o petista não discursou na abertura: 2005, em meio ao escândalo do mensalão, e 2010. Nas duas ocasiões o encarregado foi o chanceler Celso Amorim.

Luiz Inácio Lula da Silva, então presidente do Brasil, na abertura da Assembleia-Geral da ONU.

Foto: Sophia Paris/UN Photo

3. Dilma, 2011 – A presidente impichada discursou em todas as ocasiões enquanto ocupou a Presidência. Em sua estreia, Dilma teve uma fala baseada em três pilares: exaltar o combate à pobreza feito por seu antecessor, se posicionar em relação à crise econômica que assolava o mundo à época e destacar a importância das mulheres. “Essa crise é séria demais para que seja administrada apenas por uns poucos países. Seus governos e bancos centrais continuam com a responsabilidade maior na condução do processo, mas como todos os países sofrem as conseqüências da crise, todos têm o direito de participar das soluções”. Dilma foi a primeira mulher a abrir a Assembleia da ONU.

Foto: Ed Ferreira/AE

4. Temer, 2016 – Sucessor de Dilma após o impeachment, o presidente Michel Temer usou seus 20 minutos no primeiro de seus três discursos que fez na abertura da Assembleia-Geral para tentar explicar ao mundo o que estava acontecendo na política brasileira. Ele fez questão de exaltar a democracia. A fala de Temer na conferência ocorreu pouco menos de um mês depois de ele assumir a Presidência. Na fala, o ex-presidente afirmou que o processo de impeachment pelo qual o País passara respeitou Constituição. “O Brasil acaba de atravessar processo longo e complexo, regrado e conduzido pelo Congresso Nacional e pela Suprema Corte brasileira, que culminou em um impedimento. Tudo transcorreu, devo ressaltar, dentro do mais absoluto respeito constitucional.”

Foto: Timothy A. Clary/AFP

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