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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Fio BRP: CPI da Lava Toga convulsiona a base bolsonarista

Vera Magalhães

Desde o fim de semana temos mostrado aqui no BRP a escalada da convulsão da base bolsonarista -no Congresso e na militância barulhenta das redes sociais – por conta da atuação de Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) para abafar a criação da CPI da Lava Toga, proposta para investigar ministros do STF e iniciativas da Corte.

O senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) atuou para abafar a CPI do Lava Toga

O senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). Foto: Dida Sampaio/Estadão

O assunto, que vai ter repercussões políticas ao longo da semana, mobiliza alguns dos principais expoentes da direita bolsonarista e expõe a contradição essencial do momento: eleito com base num discurso moralista que surfou no momento de combate à corrupção da Lava Jato, uma vez no poder Bolsonaro passou a agir para proteger o filho, engolfado no escândalo da movimentação financeira atípica do assessor Fabrício Queiroz.

A decisão do ministro Dias Toffoli sustando a investigação com base em relatório do Coaf sobre as movimentações de Coaf aproximou Bolsonaro desta ala do STF e fez com que o filho passasse a agir abertamente para impedir a CPI –antes bandeira dos bolsonaristas, usada inclusive para convocar manifestações como a de 26 de agosto. Neste #FioBRP mostramos os últimos desdobramentos que podem ter consequências nesta semana:

  1. A senadora Juíza Selma (PSL-MT) concedeu entrevistas anunciando sua saída do PSL, a caminho do Podemos, e atribuiu a decisão diretamente à atuação direta de Flávio Bolsonaro para abafar a CPI da Lava Toga;
  2. O líder do partido no Senado, Major Olímpio (SP), disse à Coluna do Estadão que quem deveria deixar o partido era Flávio, e não Selma;
  3. A ação da família Bolsonaro contra a CPI rachou a militância virtual bolsonarista. Expoentes como o youtuber Nando Moura atacaram fortemente Bolsonaro e os filhos. Outros saíram em defesa do presidente, entre eles o guru Olavo de Carvalho, num vídeo;
  4. Eduardo Bolsonaro, vendo o incêndio na militância virtual, veio com gasolina: postou vídeo de uma youtuber alinhada com severas críticas aos senadores e justificativas de última hora para não se apoiar mais a CPI que antes era defendida em uníssono. Detalhe: Eduardo terá de ser sabatinado e depois aprovado pelos senadores para assumir a Embaixada do Brasil em Washington;
  5. A deputada estadual Janaína Paschoal (PSL-SP) foi ao Twitter dizer que a CPI é legal e anunciar o rompimento público com o polemista Olavo de Carvalho;
  6. Diante da corrosão da base, militantes engajados passaram a divulgar a criação de um cadastro do militante bolsonarista, em que a pessoa disponibiliza seu número de WhatsApp para ser bombardeada de informações pró-governo.