Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Fio BRP: Entenda as últimas suspeitas do MP no caso Queiroz

Equipe BR Político

Esta semana foi marcada pela retomada das operações para investigar o chamado caso Queiroz, que  envolve o senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro. O caso teve início há um ano, quando o Estadão revelou que um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) encontrou movimentações atípicas nas contas bancárias de Fabrício Queiroz, ex-assessor parlamentar de Fávio na Alerj. Como você já leu aqui no BRP, na quarta-feira, 17, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) deflagrou uma série de buscas e apreensões que tinham como alvos nomes ligados a Queiroz, e parentes de Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher de Jair Bolsonaro e mãe de seu filho Jair Renan. O caso é complexo, mas separamos alguns pontos importantes para te ajudar a entender as suspeitas do MP. Siga o fio:

1. O que alega o MP

O Ministério Público suspeita que havia um esquema de assessores “fantasmas” no antigo gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), quando o “01” era deputado estadual. Segundo o MP, havia a prática de “rachadinha”: os assessores de fachada mantinham cargos na assembleia em troca de repassarem parte de seus salários a Flávio e outros integrantes do esquema. Flávio teria lavado o dinheiro obtido com a prática ilícita por meio de uma loja de chocolates da qual é sócio e também por meio da compra e venda de imóveis.

2. Queiroz seria responsável por organizar o esquema

Foram identificados 483 depósitos feitos a Fabrício Queiroz. Os depósitos vinham de outros assessores de Flávio, e, juntos, somavam R$ 2 milhões. Também foram identificados diversos saques feitos pelo ex-assessor de Flávio. Por isso, o MP suspeita que o ex-policial militar era responsável por recolher parte do salário dos assessores de fachada e, assim, organizar a “rachadinha”.

3. Parentes e familiares

Segundo o MP, além de arrecadar parte dos salários de outros assessores, Queiroz também era responsável por indicar pessoas de confiança para ocuparem os cargos de fachada. Foi identificado que a mulher e a filha de Queiroz mantinham cargos no gabinete de Flávio, porém nenhuma das duas sequer retirou o crachá funcional necessário para entrar nas dependências da Alerj.

4. Os parentes da ex-mulher de Bolsonaro

Além dos parentes de Queiroz, dez familiares da ex-mulher do presidente Bolsonaro Ana Cristina Valle foram empregados por Flávio em seu gabinete no período investigado. Segundo o MP-RJ, eles sacavam mensalmente quase a totalidade do salário que recebiam na Alerj como parte do esquema.

5. Milícia estaria envolvida?

Uma das ex-assessoras do gabinete de Flávio, Danielle Mendonça, é ex-mulher de Adriano Nóbrega, acusado de pertencer ao grupo de extermínio Escritório do Crime. O MP suspeita que Danielle era uma das “fantasmas”, e que parte do salário que recebia na Alerj era dado ao ex-marido, Adriano.

6. E tudo acabava em… chocolate?

A Promotoria afirma que a empresa “Bolsotini Chocolates e Café Ltda”, da qual Flávio é sócio, foi usada para lavar o dinheiro público supostamente desviado em seu gabinete da Alerj. A loja é uma franquia da Kopenhagen, e foi adquirida por Flávio em 2014. Segundo o MP, o então deputado federal e sua esposa, Fernanda Antunes Bolsonaro, não tinham “lastro financeiro” para bancar a compra da unidade. A loja teria dado retornos financeiros “absolutamente desproporcionais” ao casal, segundo o MP.

7. Os imóveis

Além da loja de chocolates, o MP afirma que Flávio lavou parte do dinheiro desviado por meio da compra e venda de imóveis. O americano Glenn Howard Dillard, que vendeu dois apartamentos ao senador, estaria envolvido no esquema.

8. Outro PM é acusado de integrar o esquema

O policial militar Diego Sodré de Castro Ambrósio também estaria envolvido no esquema.Apesar de receber um salário de aproximadamente R$ 4,5 mil reais, Ambrósio pagou um boleto no valor de R$ 16 mil. O boleto foi emitido em nome da mulher de Flávio, Fernanda, e tinha como objetivo quitar a compra de um imóvel.

9. Queiroz não foi o primeiro?

Segundo o MP, a rachadinha no gabinete de Flávio já existia antes de Queiroz assumir a suposta função no esquema. A ex-assessora parlamentar de Flávio, Mariana Lúcia da Silva Ramos teria comandado a suposta rachadinha antes de Queiroz. Ela foi chefe de gabinete de Flávio até dezembro de 2007.