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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Fio BRP: Os acontecimentos que levaram à Proclamação da República

Equipe BR Político

O vice-presidente, general Hamilton Mourão, publicou um tweet parabenizando os brasileiros pela data nesta sexta-feira, 15. Na publicação afirmou que a Proclamação foi uma “nova etapa de evolução política e social” e que a República é um “regime mais consentâneo à realidade nacional”. 

Anteriormente, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, havia afirmado pela manhã na rede social que a Proclamação da República foi “o primeiro golpe de Estado no Brasil”, como você leu no BRP. Na sequência, criticou as comemorações do dia que ficou conhecido pela queda da monarquia no País e o início do sistema republicano. 

No contexto das manifestações sobre o aniversário da Proclamação da República no Brasil, o BRP conta, com as publicações do projeto EstadãoRepública130, os principais acontecimentos que levaram ao estopim da crise monárquica no País e aos passos que instauraram o regime republicano no Brasil em cinco pontos. Siga o fio:

Manifesto republicano

Publicado no jornal A República, em 3 de dezembro de 1870, o texto questionava a legitimidade da Monarquia e afirmava: “Não reconhecendo nós outra soberania mais do que a soberania do povo, para ela apelamos. Nenhum outro tribunal pode julgar-nos; nenhuma outra autoridade pode interpor-se entre ela e nós”. Os signatários do manifesto defendiam que a causa era correspondente à do progresso do País e combatiam o privilégio dinástico. Três anos depois, foi fundado o jornal A Província de São Paulo durante a Convenção Republicana (que mais tarde tornou-se O Estado de S. Paulo).

Vitória de partido monárquico em 1889

O Partido Liberal, do Visconde de Ouro Preto, um dos que defendiam a monarquia e a realização de reformas no País, venceu a eleição no ano e dominou a Câmara do Rio. A imprensa republicana relatou fraudes eleitorais e denunciou a distribuição de títulos de nobreza pelo gabinete liderado por Ouro Preto como manobra para angariar eleitores e representantes.

Desgaste da monarquia com o Exército

Quando o governo imperial demitiu o tenente-coronel João Nepomuceno de Medeiros Mallet da direção da escola Militar de Fortaleza, por se opor à promoção de um protegido do governador do Ceará, a reação de integrantes do Exército e líderes republicanos foi forte e jornais criticaram a medida. 

O fato somou-se ao retorno do marechal Deodoro da Fonseca de uma missão no Mato Grosso designada pelo governo, acusando-o de desorganizar os militares que lá estavam. Havia temor de que o governo imperial quisesse diluir e enfraquecer o Exército brasileiro por interesses escusos à nação. Militares, como Benjamin Constant, reivindicam o direito de manifestação política. 

O uso do dinheiro pela monarquia

A monarquia assinou um termo com o Banco do Brasil cujos termos foram amplamente criticados. Os republicanos acusaram Ouro Preto de conceder vantagens ao banco, como o monopólio de emissão de títulos da dívida pública, além do compromisso de não emitir papel moeda por 60 anos.

Em meio às críticas pelas decisões financeiras do governo, a monarquia anunciou que iria realizar o baile da Ilha Fiscal, dedicado a oficiais chilenos que visitariam o Brasil. As críticas aos gastos dos recursos do tesouro pela monarquia se intensificam, enquanto no Nordeste a seca provoca situações caóticas e muitas mortes.

Enquanto republicanos acusavam a monarquia de terem apenas os interesses próprios, e não os da nação com a publicação das notícias sobre o mal uso das verbas do tesouro e a catástrofe humanitária no Nordeste, monarquistas se defendiam.


O boato da prisão de Deodoro da Fonseca e a rebelião dos militares

Em meio ao descontentamento com as ações da monarquia em relação ao Exército, rumores cresciam de que o governo monárquico queria prender o marechal Deodoro da Fonseca, por começar a apresentar ideias alinhadas aos republicanos. 

Uma notícia falsa sobre a prisão do marechal, divulgada pelo major Frederico Sólon de Sampaio Ribeiro, que saiu pelo centro do Rio vestido como um civil espalhando o boato, chegou aos quarteis. A tropa de São Cristóvão rumou em direção ao Campo de Santana, onde ficava então o quartel-general do Exército e a Câmara Municipal do Rio. O marechal Deodoro da Fonseca se juntou à tropa. 

O visconde de Ouro Preto ordenou a Floriano Peixoto que agisse contra os rebeldes, mas o marechal se recusou. Após a rebelião, Dom Pedro II reuniu o Conselho de Estado para formar um novo gabinete. Mas o marechal Deodoro recusou o nome sugerido para substituir Ouro Preto e se compromete com os republicanos, que haviam proclamado na Câmara Municipal a República na tarde do dia 15 de novembro.