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por Marcelo de Moraes

Flávio Bolsonaro vai a Noronha nas asas do Senado

Vera Magalhães

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Uma das práticas mais combatidas pelos defensores da nova política nas jornadas pelo impeachment de Dilma Rousseff e outras manifestações em marcos como a avenida Paulista era o uso de aviões da FAB, cartões corporativos e verbas de gabinete para uso pessoal e lazer.

Jair Bolsonaro pegou carona também nesse sentimento da classe média dos grandes centros e prometeu o “fim da mamata” caso fosse eleito. Já era algo para ser visto com ceticismo, dado o histórico de uso de auxílio-moradia por parte do então deputado Jair Bolsonaro, que quando questionado ele disse ter usado para “comer gente“, a presença de funcionários fantasmas na Câmara em reduto eleitoral e  prática disseminada de rachadinha nos gabinetes dele e dos três filhos que ele colocou na política. Ainda assim, colou.

Os dois primeiros anos de governo Bolsonaro têm sido pródigos em mostrar que a tal “mamata” continua firme e forte. Os gastos com cartão corporativo da Presidência da República mais que dobraram nos primeiros quatro meses de 2020, em plena pandemia. Só em despesas secretas, eles foram maiores em R$ 3,76 milhões.

Agora, no feriado de Finados, foi a vez do filho 01 do presidente, senador Flávio Bolsonaro, dar aquela escapadinha para Fernando de Noronha, juntamente com a mulher, Fernanda, com as suas passagens (as dela, não) bancadas pela verba de gabinete do Senado, conforme revelou o jornal Metrópole.

Ele se juntou ao ministro Ricardo Salles, que está no arquipélago desde meados da semana. Ele chegou a Noronha em voo da FAB, mas resolveu dar aquela esticada para aproveitar o feriado. Perdeu o direito a voltar no voo oficial, e afirmou que arcaria com os extras de hospedagem e as passagens de volta. O compromisso que justificou a ida de Salles, outros dois ministros, cinco assessores, o secretário da Pesca e o presidente da Embratur à ilha era dos “inadiáveis”: a concessão de um mirante.

Foi lá, depois de uma noite regada a várias garrafas de vinho, que Salles tuitou em resposta a Rodrigo Maia a seguinte pérola: “Nhonho”, uma referência a um personagem de Chaves que dá apelido ao presidente da Câmara. Depois, apagou sua conta no Twitter e alegou que alguém tuitou por ele.