Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Marcelo de Moraes

FNP: Municípios têm estoque de seringas, mas reposição é necessária

Cassia Miranda

Exclusivo para assinantes

A Frente Nacional de Prefeitos (FNP) reagiu, nesta quarta-feira, 6, ao comentário do presidente Jair Bolsonaro de que os municípios têm estoques de seringas suficientes para o início da vacinação contra a covid-19. A declaração foi feita na tentativa de justificar a suspensão da compra do material pelo governo. De acordo com nota emitida pela entidade, os municípios dispõem de estoque de insumos, mas é a reposição é necessária “para que a população não sofra com uma possível falta de materiais para outras necessidades de saúde”.

A indústria nacional de produtos hospitalares alerta o governo desde julho sobre a necessidade de planejar a compra desses insumos Foto: Sammer Ai-Doumy/AFP

Pela manhã, o presidente disse que os preços de seringas dispararam e que, por isso, o governo suspenderia a compra até que os valores voltassem ao normal. Bolsonaro argumentou: “Estados e municípios têm estoques de seringas suficientes para o início das vacinações, já que a quantidade de vacinas num primeiro momento não é grande”.

Na manifestação, a FNP afirmou que “os municípios, de fato, dispõem de estoque rotineiro de insumos, com seringas e agulhas, que servem para procedimentos diversos, inclusive para atender ao Plano Nacional de Imunizações. No entanto, um plano de vacinação tão urgente e abrangente, como o necessário contra a COVID-19, demanda planejamento, organização e uma complexa logística de aquisição e distribuição de insumos. Para utilizar o estoque regular, é fundamental que se estabeleça a forma de reposição para que a população não sofra com uma possível falta de materiais para outras necessidades de saúde”, diz trecho da nota.

E segue: “O que o Brasil precisa, e que a FNP vem demandando desde o início da pandemia, é de uma coordenação nacional, com a participação de estados e municípios para enfrentar à COVID-19, de forma compartilhada e complementar, como é a premissa do Sistema Único de Saúde (SUS). Ações descoordenadas, imprecisas e pouco alicerçadas em informações confiáveis só tumultuam ainda mais o crítico cenário que o Brasil atravessa”, finaliza.