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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Fome aumenta 43,7% em cinco anos, mostra IBGE

Equipe BR Político

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Mais de um terço dos domicílios brasileiros (36,7%0) apresentou situação de insegurança alimentar no biênio 2017-2018. É o que revela a última Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), divulgada nesta quinta-feira, 17, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Quando analisado por regiões, Norte e Nordeste registraram as menores porcentagens de acesso pleno e regular aos alimentos.

Pessoas fazem fila para receber alimentos em meio a pandemia do novo coronavírus Foto: Manaure Quintero/Reuters

Segundo o estudo, 84,9 milhões de brasileiros – de uma população estimada em 207,1 milhões – moravam em domicílios com algum grau de insegurança alimentar em 2017 e 2018. Do total, 10,3 milhões enfrentavam insegurança alimentar grave – não tinham acesso suficiente a alimentos e passavam fome, incluindo crianças. O aumento foi de 43,7% desde a pesquisa anterior, em 2013.

Foi a primeira vez que o índice de segurança alimentar no Brasil apresentou queda. Em 2004, 65,1% da população do País dizia ter acesso garantido à alimentação. O número passou para 69,8% em 2009 e para 77,4%, em 2013. Na mais pesquisa mais recente, porém, caiu para 63,3%.

A pesquisa mostra que domicílios com insegurança alimentar têm menos acesso a água e esgoto. A categoria de insegurança alimentar (IA) é dividida em três níveis: leve, moderada e grave. A existência de rede geral de esgotos está presente em 47,8% dos domicílios com insegurança alimentar moderada e em 43,4% dos domicílios com IA grave.

A pesquisa também aponta para a desigualdade de gênero e de raça no País. Nos domicílios com IA grave, 51,9% tem uma mulher como chefe do lar. A situação se inverte conforme aumenta o nível de acesso pleno e regular aos alimentos. Nos domicílios em condição de segurança alimentar, predominam os homens como pessoa de referência, registrando 61,4%.

Na análise por cor ou raça, os domicílios com pessoa de referência autodeclarada parda representavam 36,9% dos domicílios com SA. No entanto, ficaram acima de 50% para todos os níveis de insegurança alimentar, registrando 50,7% para IA leve, 56,6% para IA moderada e 58,1% para IA grave.