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por Marcelo de Moraes

FPA reage à fala de Macron sobre soja brasileira: ‘Não aceitaremos acusações deste tipo’

Marcelo de Moraes

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) reagiu, nesta quarta-feira, 13, às críticas feitas pelo presidente da França, Emmanuel Macron, que afirmou que comprar soja do Brasil é incentivar o desmatamento na Amazônia. O presidente francês quer que seu país amplie autonomia na produção de soja. Em nota assinada pelo seu presidente, o deputado Alceu Moreira (MDB-RS), a FPA rebateu as críticas.

O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Alceu Moreira (MDB-RS)

O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Alceu Moreira (MDB-RS). Foto: Dida Sampaio/Estadão

“A Frente Parlamentar da Agropecuária acompanhou com profundo constrangimento as declarações de ontem (12) do presidente francês, Emmanuel Macron, em que associa a agricultura brasileira aos crimes de desmatamento ilegal, sem nenhum dado oficial que comprove tal ilação, a não ser nosso recorde de exportação que alcançou mais de US$ 100 bilhões em 2020”, diz a nota.

“A França, em toda sua história, nunca demonstrou tanto desespero em relação ao desenvolvimento sustentável que o Brasil alcança ano a ano, com novas tecnologias e uma agricultura de precisão que garante duas safras/ano, responsável pelo aumento robusto de nossa produtividade ao longo dos últimos 40 anos, a um custo diferenciado para abastecimento interno e do mundo todo”, acrescenta o texto.

“Somos uma potência agrícola por vocação e possuímos uma área de 66,3% de vegetação protegida e preservada, sendo que apenas 20,5% estão em imóveis rurais. De todo o território nacional, utiliza-se apenas 7,8% para lavouras e florestas plantadas. E quais são os números de ocupação de solo na França?”, questiona a FPA.

A Frente faz o alerta de que o governo francês não tem o direito de fazer uma cobrança pública como essa.

“Alertamos que a política interna da França não pode colocar em xeque outra Nação e a legalidade de nossas políticas públicas para a agricultura como um todo. Atualmente, apenas 10% da soja brasileira é produzida no bioma Amazônico, sem contar que toda a produção está dissociada de qualquer processo de desmatamento desde 2008”, diz a nota.

“Por último, é preciso entender e considerar que, em números redondos, a União Europeia importa cerca de R$ 13 milhões toneladas/ano, das quais 5 milhões vão para a França. A produção atual dos franceses é de 200.000 t/ano irrigada e a um custo alto, ou seja, apenas 5% da demanda. Para atender, seria necessário plantar cerca de 2 milhões de hectares. Basta saber quem vai liberar essa terra toda e o impacto ambiental disto. Um discurso para atender eleitores não pode ser utópico ao ponto de não ser alcançada a autossuficiência”, ressalta Moreira na nota da entidade.

“Não aceitaremos acusações deste tipo. O Brasil é um grande exportador mundial de alimentos, um dos maiores responsáveis pelo abastecimento alimentar no mundo e ocuparemos nosso lugar, independente das guerras comerciais em franco desenvolvimento na França. Somos sustentáveis, cumprimos regras sanitárias e ambientais mais rígidas do que os países competidores e estamos alcançando um padrão de qualidade nunca visto antes, sem aumentar nossa área de plantio. Para a França alcançar o patamar do Brasil, vai precisar conquistar novos territórios, o que a modernidade e a civilidade não permitem mais”, concluiu.

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