Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Fragilidade na articulação faz governo sofrer mais do que precisa

Marcelo de Moraes

Passados quase quatro meses desde a posse do presidente Jair Bolsonaro, o governo segue sofrendo no Congresso por absoluta fragilidade na sua articulação política. O problema é que essa deficiência anda tão elevada que consegue até ampliar as derrotas do governo. A sessão de ontem da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara mostrou um exemplo disso. Todo mundo sabia que o Centrão tinha se articulado com a oposição para garantir que a PEC do Orçamento Impositivo passasse à frente da reforma da Previdência na CCJ. Em vez de tentar um acordo de procedimentos que permitisse que a PEC passasse logo à frente – afinal, não tinha votos para barrar o movimento – em troca de alguma vantagem na discussão da Previdência, os líderes governistas preferiram levar a história adiante de qualquer maneira.

Deu no que deu. Por causa da manobra comandada pelo Centrão, adiantada pelo BR18 na semana passada, a reforma perdeu mais tempo na sua tramitação e desgastou mais o governo ao exibir sua falta de força dentro do Congresso. Eterno bombeiro dessa discussão, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, ainda tenta um acordo para que as discussões da reforma sejam feitas hoje pela madrugada adentro para tentar recuperar o tempo perdido, mas é possível que a reforma só comece a ser votada depois da Páscoa. Um sofrimento extra que o governo está tendo por incapacidade de se articular politicamente. /M.M.

Tudo o que sabemos sobre:

governoprevidênciaCCJcentrão