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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

FT levanta suspeita de que Brasil manipulou dados de crescimento

Equipe BR Político

O jornal econômico americano Financial Times questionou os dados recentemente liberados sobre o crescimento econômico do Brasil e levantou, pela análise de alguns especialistas, suspeita de incongruências entre os dados divulgados pelo IBGE e a realidade da atividade econômica no País. As dúvidas surgiram após o Ministério da Economia corrigir os dados de exportações no Brasil duas vezes em menos de uma semana. Na terça-feira, 3, o IBGE divulgou um crescimento de 0,6% do PIB no terceiro trimestre do ano em relação ao segundo e de 1,2% em relação ao mesmo período de 2018.

De acordo com o jornal, as suspeitas inciaram quando houve uma queda acentuada do valor do real pelo fraco saldo da balança comercial brasileira em comparação aos últimos anos, devido a queda nas exportações. Alguns dias depois, na quinta-feira, 28, o Ministério da Economia afirmou que havia um erro nos dados de exportação divulgados e corrigiu o valor acumulado em novembro, com uma diferença de mais de US$ 4 bilhões, de US$ 9,7 para US$ 13,5 bilhões. Com a revisão, a balança comercial do País, que havia registrado déficit de US$ 1,1 bilhão no mês, passou para um superávit de US$ 2,717 bilhões e a moeda brasileira recuperou um pouco de seu valor frente ao dólar. 

Na segunda-feira, 2, o ministério ainda afirmou que as exportações de setembro e outubro também haviam sido de US$ 1,37 bi e US$ 1,35 bilhão, respectivamente, maiores do que o divulgado. Os erros, de acordo com a pasta, ocorreram por uma falha no registro de grandes valores nas declarações de exportadoras nos últimos meses. Depois das afirmações, o PIB do terceiro trimestre foi divulgado, com indicação de crescimento significativamente maior do que a previsão de analistas.

De acordo com o economista-chefe para América Latina no ING Financial Markets em Nova York, Gustavo Rangel, o valor do PIB divulgado gerou dúvidas entre analistas pelos altos estoques das empresas, normalmente um indicador de baixa atividade econômica. Já o analista da Goldman Sachs em Nova York, Alberto Ramos, ouvido pela reportagem, afirmou não suspeitar de uma manipulação nos dados, apenas de “um grande erro”, “incompetência e negligência em um momento que mercados estão preocupados com o deterioramento do comércio”, disse.

No Twitter, o senador Randolfe Rodrigues (PE), líder da Rede no Senado, compartilhou o artigo e afirmou que as ações do governo acabam “com uma reputação de transparência, adquirida há anos.”

O deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) também comentou a publicação na rede social. “Até o PIB seria superfaturado? Fraudes nos dados?”.