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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Funai com verba parada para atender indígenas contra covid-19

Equipe BR Político

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A Funai, órgão ligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, recebeu, há duas semanas, R$ 10,840 milhões de recursos emergenciais para usar na proteção de indígenas contra o avanço do novo coronavírus. Nenhum centavo desse recurso, porém, foi utilizado até hoje, quando o País já soma ao menos nove casos  e três mortes de indígenas pela covid-19, reporta o Estadão.

O orçamento total da Funai previsto para este ano é de R$ 506 milhões, dos quais mais de R$ 151 milhões serão usados para pagamento de pensões e aposentadorias de servidores, diz a reportagem. O valor destinado à proteção dos índios contra a covid-19 corresponde a um quinto das despesas administrativas do órgão, que consomem mais de R$ 50 milhões por ano.

A situação dos cerca de 800 mil índios do País é alarmante, principalmente daqueles que vivem na região amazônica, onde o coronavírus tem avançado rapidamente. Manaus é hoje o elo mais frágil da engrenagem da saúde nacional, com seu sistema de atendimento já em colapso, como reconhece o Ministério da Saúde. No Pará, é grande a preocupação com os garimpeiros. “A situação é de extrema gravidade e a presença de invasores coloca em risco não somente a integridade territorial como ameaça nossa própria sobrevivência física, diante da ameaça de contaminação pela covid-19”, afirma o povo kayapó, do município de Alto Progresso, no Pará, em um apelo enviado nesta segunda-feira, 13, ao Ministério Público Federal do Estado.

A ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, disse que o governo vai destinar R$ 4,7 bilhões em diversas ações de proteção aos povos tradicionais, como indígenas, quilombolas e ciganos. Desses R$ 4,7 bilhões, R$ 3,2 bilhões estão relacionados à transferência de renda de R$ 600 para famílias de povos tradicionais que estão inscritas no programa Bolsa Família. Há previsão de R$ 1,5 bilhão em compras de cestas básicas, kits de higiene e reforço alimentar. Questionada sobre as razões de não usar o recurso emergencial, a Funai não se posicionou.

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