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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Fundação Alexandre de Gusmão vira reduto do pensamento olavista na pandemia

Gustavo Zucchi

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A Fundação Alexandre de Gusmão virou o órgão público em que as ideias olavistas da militância presidencial se sentem mais à vontade. Em especial, após o começo da pandemia, a fundação “passou a boiada”. Em pouco mais de 4 meses, os principais influenciadores ligados ao “guru” Olavo de Carvalho estiveram em diversas conferências online promovidas pelo instituto. No período, foram mais de 15 nomes da militância que expuseram suas ideias.

Nesta semana, a Funag voltou a despertar críticas pela palestra que será dada por Eduardo Bolsonaro sobre o “resgate das relações Brasil-Estados Unidos e seus benefícios”. Isso em meio à campanha pública do filho do presidente pela eleição de Donald Trump contra Joe Biden, do partido Democrata. Mas a lista de simpósios, aulas e reuniões com o crème de la crème de ala ideológica é bem maior.

Dentre os convidados recentes, estão alguns nomes investigados no inquérito sobre fake news do Supremo, como Allan dos Santos e Bernardo Küster, ambos convidados a falar de aspectos da “conjuntura internacional do pós-coronavírus”.

Ambos, assim como outros palestrantes, têm utilizado as redes sociais para tecer críticas contra as medidas de isolamento social, o uso de máscara e defendem, assim como Jair Bolsonaro, o uso da cloroquina como panaceia para tratar o covid-19. Na turma convidada para, em diversos dias diferentes, falar sobre o futuro do mundo após a pandemia, ainda estão nomes como Arthur Weintraub, irmão do ex-ministro da Educação, o escritor Flávio Gordon, que chegou a sugerir a prisão do ministro do STF Gilmar Mendes, a juíza Ludmila Lins Grilo e Dom Bertrand de Orleans e Bragança, herdeiro da Casa Imperial brasileira e ligado a grupos da direita católica, dentre outros blogueiros e tuiteiros.

Já o assessor especial da Presidência Filipe G. Martins é figurinha carimbada nos eventos da Funag há tempos. Falou sobre o coronavírus, mas antes disso foi centro de palestras sobre o “globalismo”, ideia popular na direita olavista que especula sobre como associações supra-nacionais seriam uma forma de derrubar as identidades de cada país, o que favoreceria a implementação de políticas de esquerda.

Quem também esteve no instituto foi a deputada Chris Tonietto (PSL-RJ). Com uma atuação tímida na Câmara, ela já deu duas palestras na Fundação Alexandre de Gusmão: uma sobre a “importância da promoção de políticas internacionais de defesa da vida”, um eufemismo para propaganda anti-aborto, e outra sobre “educação globalista e a proposta de secundarizar as instituições”.

A influência ideológica é tão clara que a bancada do PSOL na Câmara cobrou formalmente de Ernesto Araújo explicações sobre o papel de Olavo de Carvalho na formulação da política internacional brasileira. Dentre os questionamentos, perguntam “os critérios de seleção dos temas e dos conferencistas das atividades da Fundação Alexandre de Gusmão (Funag)”.

Para efeito de comparação, um dos últimos eventos realizados na Funag antes do início do governo Bolsonaro foi o lançamento de um livro do ex-chanceler Celso Lafer, cujo título é “Relações Internacionais, política externa e diplomacia brasileira”. O custo da entidade ao Itamaraty é superior a R$ 14 milhões por ano. A fundação não paga cachê para eventuais palestrantes em suas atividades.

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